“Puxadinho” - Copy

2020
Puxadinho, Fredone Fone, Vídeo, 15'25", 2020
 

Fredone Fone caminha pelas ruas com um pesado pedaço de bloco de concreto sobre os ombros. Saindo de Schaerbeek, periferia de Bruxelas, finalizando em Place Poelaert, num ponto alto que permite uma vista mais ampla da cidade.

Ele, que já foi ajudante de pedreiro, e o bloco, se tornam um, representam puxadinhos, cômodos ambulantes, corpos à margem, em busca de teto, participam diretamente na construção da cidade.

Fredone Fone (Bom Jesus do Itabapoana, RJ, 1981)

Cresceu no bairro Serra Dourada, na periferia de Serra (ES), um bairro operário-ocupado onde ajudou o pai no trabalho de pedreiro e pintor construindo e reformando casas, por mais de dez anos, desde a infância, enquanto ajudava a mãe a fazer salgadinhos para vender­ e complementar a renda da família. Foi neste contexto, correndo riscos de ter a casa leiloada, que, em meados dos anos 1990, começou a construir seu nome na cidade, com uma lata de spray; através da pixação, do graffiti; conheceu o skate, o rap, e consequentemente o movimento hip-hop, com o qual tanto se identificou. Também trabalhou em almoxarifado de construção civil, e fez os cursos Operador de Empilhadeira e Autocad.

Boa parte de seu trabalho é braçal e fala sobre o sonho da casa própria, sobre o hip-hop e a autoconstrução como táticas subversivas de existência, ocupação e sobrevivência da população preta e periférica, que é maioria no trabalho da construção civil, e que levanta, de forma terceirizada e precarizada, paredes de uma cidade rude, que os empurra de volta para os bairros onde vivem.

Além de técnicas, ferramentas, materiais, Fredone utiliza cores que aprendeu a usar com o pai: o preto, o branco e o cinza - pintando paredes, grades, janelas, portas e portões - e o vermelho-sangue, da vida, da morte e da luta enfrentada diariamente nas periferias das cidades que ele busca demolir, antes de ser demolido por elas, ao mesmo tempo em que sonha, projeta, constrói, reforma e pinta futuras cidades antirracistas. É pra ontem!

Participou dos festivais Street Arts Festival Mostar, Bósnia; The Board Dripper, México; Maracay se Activa, Venezuela; Concegraff, Chile; das residências artísticas Guilmi Art Project (grupo Pêndulo), Itália; Artist's Menu, Sérvia; Arte Contra el Olvido, Espanha; Memoria Compartida, Paraguai; Espirito Mundo Residences, Bélgica; das exposições Alvenaria (individual) - Espaço Cultural SESI (ES), Brasil; FONTE (dupla como Pêndulo) - Casa Porto das Artes Plásticas, ES, Brasil; Tríade (trio) - Museu Vale, ES, Brasil; Impronta (coletiva) - Galería Libertad, México; Bienal Internacional de Graffiti (coletiva) - Serraria Souza Pinto, MG, Brasil; Organizou o livro Rap: A Força da Fala e recebeu os prêmios Doggueto - Personalidade Hip-Hop, ES, Brasil e Cultura Hip Hop - Edição Preto Ghóez, MINC, Brasil, e recentemente, o Pollock-Krasner Foundation Grant - New York/NY, USA 2020/21.

 

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Published in 21/06/2022

Updated in 21/06/2022

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