Cubo Branco

01/01/1929View on timeline

O Cubo Branco é mais um exemplo de como a arquitetura se relaciona com o objeto artístico a ponto de levar a modificação ao espaço. O conceito de Cubo Branco surge no séc. XIX como modelo modernista da arquitetura de espaços pensados para a exposição da arte (ou espaços expositivos)

A essência do Cubo Branco é justamente criar uma ambiência que funcione como pano de fundo para a obra, livre de excessos, enfeites ou ornamentos. Nesse sentido, a arquitetura é minimizada para que a obra esteja em evidência. O Cubo Branco é  uma estrutura neutra: paredes brancas, piso cinza ou de madeira, e longos espaços entre os trabalhos de arte apresentados. As esculturas, neste modelo, podem ocupar o centro das salas, contando com amplos espaços ao redor. Todos esses aspectos arquitetônicos buscam proporcionar ao visitante o cenário ideal para contemplação das obras: um lugar silencioso, sem interferências de outras ações (“proibido comer, beber, correr”), propício para “reverenciar” a arte. 

Opening White Cube Bermondsey street South Galleries: Hiroshi Sugimoto & Jacob Kassay 

O Cubo Branco é uma proposta modernista que buscou na busca por espectadores que possam imergir na obra, que experimenta a ideia e o conceito pensado pelo artista. A concepção do espaço expositivo e os suportes de apresentação das obras estão totalmente ligados a essa experiência vivida pelo visitante e por isso começam a ser questionados e repensados. 

Esse pensamento  já  havia se manifestado em algumas exposições da Bienal de Veneza, que começaram a encorajar essa busca por um espaço que não interferisse na obra, que pudesse ser contínuo. Foi nesse processo que os museus e galerias que antes apresentavam paredes repletas de quadros e visitantes que se aglomeravam na exposição, foram sendo substituídos por estruturas que se integravam  às obras e que visavam estimular a imersão do visitante em um ambiente silencioso, 

É importante ressaltar o contexto a partir do qual o Cubo Branco é proposto. O período da Arte Moderna foi um momento no qual os artistas se mobilizaram em prol da experimentação de novas técnicas. Historicamente, a Europa vivia uma fase de auto superação e o mundo se encontrava fragilizado pelo Pós-guerra. Movidos por esse sentimento de reinvenção, os artistas passam a questionar os valores estabelecidos pela Academia e o sistema da Arte.  As vanguardas modernistas se dedicaram a romper com os discursos formatados dos artistas anteriores, discutem a moldura e o pedestal, a própria figura do artista e a essência da obra de arte. Nas vanguardas europeias, os movimentos que mais se destacaram foram: Expressionismo, Fauvismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo, influenciando a pintura, escultura, arquitetura, literatura, cinema, teatro, música, entre outros.

O espaço expositivo na forma de Cubo Branco passa a ser adotado a partir do período do Pós-Guerra (1919), em funções e museus europeus, principalmente na Alemanha. Entretanto, um importante exemplar dessa nova proposta arquitetônica aconteceu com o Museu de Arte Moderna de Nova York - MoMA (1929). O museu foi o primeiro a dedicar suas atividades exclusivamente à Arte Moderna, organizando uma coleção considerada uma das mais abrangentes do mundo. O MoMA passa a ser reconhecido como uma importante instituição moderna, tanto em função das soluções arquitetônicas empregadas em seu edifício quanto por seu acervo. Fazem parte da coleção, obras como Noite estrelada de Van Gogh, Les demoiselles d'Avignon de Picasso e A Persistência da Memória de Dalí.

Algumas décadas depois, uma discussão importante sobre o papel ideológico das instituições de arte começa a tomar conta da produção artística. Pensando na forma como o que está “dentro do museu” automaticamente o confere status de obra de arte, artistas e críticos passam a refletir sobre o lugar de poder de museus e galerias (seus diretores e patrocinadores) na decisão do que merece ser visto ou ocultado. 

Essa reflexão leva a pensar em como a preparação minuciosa desse espaço, proposto pelo modelo do Cubo Branco, também é capaz de intervir diretamente na experiência do espectador sobre a obra e na construção de uma História oficial, revelando-se um modelo não tão neutro como proposto.

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Published in 20/04/2021

Updated in 30/04/2021

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