Criação, espaços e acervos

01/01/1793View on timeline

Criação

Colecionar, como já destacado nos eventos

e

é um ato inerente ao ser humano e talvez o hábito que mais influenciou a criação dos Museus modernos.

Etimologicamente museu é uma palavra que se origina do grego Mouseion, que significa templo das Musas, divindades que através da música e da dança faziam os homens esquecerem seus problemas. Em agradecimento às musas, esses homens faziam oferendas de artefatos, que mesmo sendo apenas para as divindades podem ser interpretadas como as primeiras coleções. De forma resumida, até a etimologia da palavra museu está ligada ao ato de colecionar, como pode ser observado no conto mitológico das musas.

É nesse contexto que surgem os primeiros museus no séc. XVII. O momento é também de ascensão da burguesia, que seguindo o exemplo da aristocracia, monta suas próprias coleções, selecionado como primeiras galerias. Em 1683, surge o Ashmolean Museum . A instituição nasce a partir da doação da coleção de John Tradescant, feita por Elias Ashmole, à Universidade de Oxford, o que fez do Ashmolean Museum um museu universitário, ainda com visitação bastante restrita.

O primeiro museu de fato público, nasceria na França, no ano de 1793 e se tornaria um dos mais famosos do mundo. Hoje o conhecemos como Louvre. Em sua inauguração foi realizada uma exposição com 537 pinturas, muitas delas de propriedade real. O segundo museu público surgiria também na Europa, dessa vez na Inglaterra, em 1759. A iniciativa do parlamento inglês em adquirir a coleção do físico e colecionador Hans Sloane (1660-1753), somava mais de 80 mil itens que se dividiam entre livros e antiguidades da Grécia, Roma, Egito, Oriente Médio e América. O desejo de Sloane, de que sua coleção se mantivesse após sua morte, foi atendido e deu origem ao Museu Britânico. 

Exposition des produits de l'industrie française, dans la cour du Louvre, 1801    

Ao longo do séc. XIX mais museus surgem pelo mundo. Os seus acervos foram estruturados do mesmo modo que foram os primeiros museus, a partir de coleções particulares que se fabricam públicas nesses espaços. Desse período é possível destaque a criação do Museu do Prado (1819), na Espanha, e o Museu Mauritshuis (1822) , na Holanda. Nos Estados Unidos, o primeiro museu foi o Museu Metropolitano de Arte (MoMa), que seria fundado em 1870, na cidade de Nova York. Já o primeiro museu brasileiro nascer, nasceria em Pernambuco em 1862, e seria batizado de Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano. Os demais museus no Brasil só foram fundados ao longo do séc. XX sendo o Museu de Arte de São Paulo - MASP (1947, projetado pela Arquiteta Lina Bo Bardi), o mais importante desse período, cuja inauguração contou com a presença da Rainha Elizabeth II à época em visita ao país. 

Espaços

Dayanita Singh: Go Away Closer, Hwayward Gallery, 2013. Créditos da imagem: Stephen White, http://ekaresources.com/2014/07/07/archive-fever/   

A formas de apresentação das obras de arte nos museus passou por muitas transformações ao longo do tempo, não só porque a sociedade e a arte se transformaram, mas principalmente porque foi percebido a importância da relação da peça com o espaço que ela ocupa, no processo de construção de sentido para a obra. 

Nos

as peças eram apresentadas lado a lado, sem separações, o que dificultava a visualização isolada das peças, por mais que essa fosse a função entendida das molduras (isolar os assuntos das obras). Os Salões Parisienses também apresentavam obras lado a lado, mas o objetivo era ressaltar quais eram as obras dos mecenas mais nobres, prestigiados e mais ricos, dando a elas o espaço de mais destaque. 

Quando a burguesia começa a ascender na sociedade, novas coleções surgem, já que, seguindo o exemplo da classe aristocrática, começa a investir em suas próprias coleções de arte, originando as galerias.

As galerias burguesas contavam com uma longa sala na qual as peças eram expostas de forma linear. Na lateral dessas salas haviam janelas por onde a luz natural entrava no ambiente. Nesse período não havia uma estrutura específica e padronizada para as obras, por isso as coleções eram expostas em casas, palácios e, ou castelos. Como esses espaços não eram pensados originalmente para esse fim: era escolhido um corredor de ligação entre dois ambientes, para que as obras fossem expostas. 

Gabinetes, Salões e Galerias são espaços que socialmente se apresentavam de forma diferente, mas suas similaridades expõe dois pontos importantes com relação à arte e ao surgimento dos museus modernos: 

O primeiro é colecionismo como fator impulsionador da criação desses espaços e instituições;

O segundo é, como o lugar físico, a arquitetura, é crucial na construção de sentido para a obra. 

Ao pensar em arte, somos automaticamente levados a espaços físicos, como museus e galerias. É nesse contexto que a importância da arquitetura para apresentação artística é identificada. Os espaços de arte, como já destacado, passaram por transformações ao longo da História; essa transformação se deve ao fato de que também a própria arte mudou, sendo seus conceitos alterados ao longo do tempo através das produções artísticas. 

Mesmo o Louvre, museu que mais se aproxima do formato como conhecemos hoje, em suas primeiras exposições apresentava várias peças em uma única parede. Essa estrutura começa a ser mudada a partir do séc. XIX, período de surgimento da Arte Moderna, demandando uma nova estrutura de apresentação de obras no espaço. São arquiteturas visualmente mais limpas, como destaca a pesquisadora Katia Canton (2009, p. 17) no livro Espaço e Lugar da coleção Temas da Arte Contemporânea: 

“(...) a arte moderna (...) demanda um novo tipo de distribuição das obras no espaço, com menos acúmulo, mais respiro entre elas e uma predominância das forma retas e das cores brancas.” 

A arquitetura dos espaços de arte é também alterada à medida em que a arte se transforma, assim como os acervos que foram constituídos sob influência de acontecimentos históricos e eventos de transformação no universo da arte. 

Acervos

Acervo aberto no Museo Larco - Lima, Créditos: Anarquivist https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Open_storage_at_museo_larco.jpg   

Os primeiros Museus foram criados a partir de doações de coleções particulares. Por isso eram compostos por pinturas, esculturas e outros artefatos. Algumas obras eram resultado das navegações aos novos continentes, encontradas e incorporadas às coleções particulares na Europa. Mas, esses primeiros acervos também eram compostos por obras de artistas da época, que haviam sido comissionados pelos mecenas nos salões de arte. 

Porém, esses não foram os únicos acontecimentos que levaram à construção de acervos. Muitos dos acervos dos museus modernos foram constituídos com espólios de guerra; ainda hoje há espaços formados por “conquistas” desse período. Quando os primeiros museus surgem, os acervos formados através de pilhagens cumprem um papel de construir um sentimento nacionalista, expondo as peças como símbolos de conquistas, de soberania nacional. 

Com a evolução do pensamento artístico, as obras de arte também passam a se configurar de diversas formas, abandonam a moldura, o cavalete e a parede, para ganhar todo o espaço do museu, da cidade e do campo. Assim, também as coleções e os museus são transformados: os acervos se diversificam e igualmente a instituição museológica passou por profundas transformações em seu propósito original. Para saber mais, navegue na linha “O espaço da exposição”.

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Published in 15/04/2021

Updated in 14/06/2021

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