Skip to content

Arquitetura e Manuais de Normas

01/01/1460View on timeline

null

Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da história da Europa aproximadamente entre meados do século XIV e o fim do século XVI. Os estudiosos, contudo, não chegaram a um consenso sobre essa cronologia, havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor. Apesar das transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma evolução em relação às estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências.

Chamou-se Renascimento em virtude da intensa revalorização das referências da Antiguidade Clássica, que nortearam um progressivo abrandamento da influência do dogmatismo religioso e do misticismo sobre a cultura e a sociedade, com uma concomitante e crescente valorização da racionalidade, da ciência e da natureza. Neste processo o ser humano foi revestido de uma nova dignidade e colocado no centro da Criação, e por isso deu-se à principal corrente de pensamento deste período o nome de humanismo.

O artista no Renascimento era um profissional. Até o século XVI são extremamente raros os exemplos documentados de obras criadas fora do sistema de encomenda, e a maciça maioria dos profissionais estava ligada a uma guilda.

A contribuição dos artistas do Renascimento é mais lembrada pelos grandes altares, os monumentos, as esculturas e pinturas, mas as oficinas de arte eram empresas de mercado variadíssimo. Além das grandes obras para igrejas, palácios e edifícios públicos.

Dentre as características mais notáveis da arquitetura renascentista está a retomada do modelo centralizado de templo, desenhado sobre uma cruz grega e coroado por uma cúpula, espelhando a popularização de conceitos da cosmologia neoplatônica e com a inspiração concomitante de edifícios-relíquias como o Panteão de Roma. O modelo tinha como base uma escala mais humana, abandonando o intenso verticalismo das igrejas góticas e tendo na cúpula o coroamento de uma composição que primava pela inteligibilidade. Especialmente no que toca à estrutura e técnicas construtivas da cúpula, grandes conquistas foram feitas no Renascimento, mas ela foi um acréscimo tardio ao esquema, sendo preferidos os telhados de madeira. Das mais importantes são a cúpula octogonal da Catedral de Florença, de Brunelleschi, que não usou andaimes apoiados no solo ou concreto na construção, e a da Basílica de São Pedro, em Roma, de Michelangelo, já do século XVI.

Antes do Cinquecento não havia uma palavra para designar os arquitetos no sentido em que hoje são entendidos, e eram chamados de mestres de obras. A arquitetura era a mais prestigiada arte do Renascimento, mas a maior parte dos principais mestres do período, quando iniciaram sua prática nas artes edificatórias, já eram artistas reputados mas não tinham nenhuma formação no campo, e vinham da escultura ou da pintura. Eles eram chamados para os grandes projetos de edifícios públicos, palácios e igrejas, e a arquitetura popular era encarregada a pequenos construtores. Ao contrário da prática medieval, caracterizada pela funcionalidade e irregularidade, os mestres concebiam os edifícios como obras de arte, estavam cheios de ideias sobre geometrias divinas, simetrias e proporções perfeitas, desejosos de imitar os edifícios romanos, e criavam desenhos detalhados e uma maquete do prédio em pequena escala em madeira, que serviam como projeto para os construtores. Esse projetos eram estrutural e plasticamente inovadores, mas pouco atentos à sua viabilidade prática e às necessidades do uso diário, principalmente na distribuição dos espaços. Eram os construtores que deviam resolver os problemas técnicos que surgissem ao longo da obra, procurando manter o desenho original, mas muitas vezes fazendo importantes adaptações e mudanças no meio do caminho, se o desenho ou alguma parte dele se revelasse impraticável. Segundo Hartt, quando começavam obras grandes e complexas como as igrejas, poucas vezes os construtores estavam seguros de poder chegar até o final. Contudo, alguns mestres trabalharam nisso por longos anos e se tornaram grandes conhecedores do assunto, introduzindo importantes novidades técnicas, estruturais e funcionais. Eles também projetavam fortificações, pontes, canais e outras estruturas, além de planos de urbanismo em grande escala. A maior parte dos muitos planos urbanísticos renascentistas jamais se concretizou, e dos que foram iniciados nenhum foi muito longe, mas desde lá têm sido uma fonte de inspiração para os urbanistas de todas as gerações.

0 comments

Comment

No comments avaliable.

Author

Info

Published in 19/05/2020

Updated in 19/02/2021

All events in the topic História da Construção:


Invalid DatePrimeiras construçõesPrimeiras construções
Invalid DateEvolução de Ferramentas e MateriaisEvolução de Ferramentas e Materiais
Invalid DatePrimeiros canais de irrigaçãoPrimeiros canais de irrigação
Invalid DateTemplos e PirâmidesTemplos e Pirâmides
Invalid DateFarol de AlexandriaFarol de Alexandria
Invalid DateCidades Estado - Cerãmica e VidroCidades Estado - Cerãmica e Vidro
Invalid Date"Parafuso""Parafuso"
Invalid DateArquitetura e Manuais de NormasArquitetura e Manuais de Normas
Invalid DateMotor de Explosão - Pontes de FerroMotor de Explosão - Pontes de Ferro
Invalid DateUrbanismoUrbanismo
Invalid DateMesquitasMesquitas
Invalid DateEngenheiros CivisEngenheiros Civis
Invalid DateMuralhaMuralha
Invalid DateTúneisTúneis
Invalid DateFormaçãoFormação
Invalid DateSustentabilidadeSustentabilidade
Invalid DateTransportesTransportes
Invalid DateGrandes BarragensGrandes Barragens
Invalid DateMega EstruturasMega Estruturas
Invalid DateESAI - TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO IESAI - TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO I