O acervo como espaço de criação - Lília Pessanha

01/01/2020View on timeline

<<retornar ao acervo é também um retorno à memória>>

Lília Pessanha


Entre o visto e o não visto: esquecimentos, acolhimentos, imprevisibilidades, quotidianos. Memórias resgatadas, imagens corriqueiras. Aqui, nos deparamos com vestígios de uma experiência situada no depois. A partir de um olhar de dentro para fora, como organizar tais imagens? E, em um exercício reverso [de fora para dentro], como nos organizarmos? Ás vezes, a ordem é algo utópico.

Criar linearidade no imprevisível talvez seja em vão. A essência pode estar exatamente na desorganização das imagens atingidas pelo acaso. Nas fotografias analógicas, o aleatório pode ser notado nas sequências de um rolo de filme, foto a foto. Ou nas sobreposições realizadas de forma experimental. Em contrapartida, nas fotografias digitais, vislumbramos a imprecisão dos tempos atuais, submersos no caos. Contudo, ainda há perseverança. Tem que haver.

Encontramos afetos por lugares relegados ao abandono; pessoas que, por um único instante, olhares foram atravessados; momentos outrora inesquecíveis. Retornar ao acervo é também um retorno à memória. Tempos de reflexão. Outras visibilidades. Um encontro consigo mesmo. Um passado palpável para um futuro incorpóreo.

Mas há quem discorde. Confrontos e concordâncias podem ser observados nas imagens contidas no eixo em questão. Enquanto um entra no jogo e seleciona despretensiosamente qualquer fotografia e assim a lança como se a mesma estivesse nos dizendo “É isso que vocês querem? Ai está! Toma.”, outro nos diz “Não! Não! Não! Me deterei na construção de um acervo para o futuro”, ocasionando assim um ruído estrondoso e, ao mesmo tempo, esplêndido.

Daí um olhar polivalente e potente. Inúmeras interpretações imagéticas em torno de um texto. Os artistas, sob diferentes vivências e óticas, nos propõem um exercício que vem a tensionar as relações passado-futuro. Ora, tal dualidade é o espelhamento das incertezas que nos rondam. Imensos no desconhecido, acabamos por sermos decifrados pelo o que olhamos. Imagem sentimento.


O acervo como espaço de criação

O acervo como espaço de criação - Lília Pessanha

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Published in 12/11/2020

Updated in 19/02/2021

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