“Engrenagem”, “Exergie – Butter Dance”, “Bare Life Study #1”, “Futebol” e “Urgência Social”

2005
Engrenagem, Eder Santos, Vídeo, 32’15”, 2005    

A performance-concerto relê algumas obras mais importantes realizadas por Eder Santos, com a participação ao vivo do músico Paulo Santos – com quem já havia trabalhado em Passagem de Mariana (1996), Pincélulas (1998) e Concerto para pirâmide, orquestra e sacrifício (2001) –, do artista Stephen Vitiello (EUA, 1964) e da performer Ana Gastelois (Brasil, 1967). Engrenagem cria, ao vivo, uma fusão de desenho, grafismo, gesto e dança, aludindo a procedimentos já comuns nos trabalhos de Santos com a imagem eletrônica, nos quais esta é frequentemente usada para cruzar e potencializar as possibilidades cênicas e visuais de atos performáticos – de música, canto, dança, poesia e teatro. A obra foi comissionada pela Associação Cultural Videobrasil.

Eder Santos (Brasil, 1960)

Autor de uma densa obra em vídeo e instalação, é graduado em Belas Artes e em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por meio de ruídos, interferências e uma ampla gama de distúrbios no aparato técnico, seus trabalhos buscam restituir às imagens a vitalidade muitas vezes perdida em meio aos clichês da indústria cultural. Dirigiu o longa Enredando as pessoas (1995) premiado em festivais de cinema em Havana, Cuba e Suíça. Realizou as exposições individuais Suspensão e Fluidez, na ARCOMadrid, Espanha (2009); e Roteiro Amarrado, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2010). Seus vídeos integram acervos de instituições como o Museum of Modern Art, de Nova York e o Centre Georges Pompidou, Paris. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.

Exergie – Butter Dance, Melati Suryodarmo

Exergie – Butter Dance, Melati Suryodarmo, Vídeo, 11’35”, 2005 

Nessa performance, a indonésia Melati Suryodarmo usa de concentração absoluta para caminhar, de salto alto, sobre pedaços de manteiga, na iminência do escorregão e da queda. A crença no corpo físico como espelho dos universos interiores move a performer. Melati é integrante do Independent Performance Group, fundado pela artista sérvia Marina Abramović (Sérvia, 1946).

Melati Suryodarmo (Indonésia, 1969)

Formou-se em Relações Internacionais e Ciência Política am Bandung, na Indonésia, antes de mudar-se para a Alemanha, em 1994, para estudar na Hochschule fuer Bildende Kuenste Braunschweig com Marina Abramovic. Graduou-se em Artes Plásticas e terminou seu mestrado em Arte de Performance, em 2002. Participou de vários festivais internacionais de performance e exposições na Europa, incluindo o IPFO 2003, Porto; VV2 na 50th Venice Biennale; Marking the territory, IMMA Dublin, entre outros.

Bare Life Study #1, Coco Fusco

Bare Life Study #1, Coco Fusco, Vídeo, 14’, 2005 
    

Inspirada pelas torturas impostas pelo exército norte-americano na Base Naval de Guantánamo, Cuba, a performance mostra como as prisões são espaços de disciplinamento dos corpos encarcerados, expondo uma rotina militarizada, abusiva e humilhante, de controle absoluto de movimentos e pensamentos. Reflete sobre a necessidade de confrontar uma dinâmica autoritária e hierárquica, que violenta pessoas e comunidades ao dizimar pertencimentos e identidades. Uma das performances comissionadas pelo 15º Videobrasil, foi realizada em frente ao Consulado dos Estados Unidos em São Paulo.

Veja aqui Coco Fusco comentar a performance Bare Life Study #1 e aqui preparar-se para as gravações do documentário Coco Fusco: I Like Girls in Uniform.

Coco Fusco (Nova York, EUA, 1960)

Escritora e artista multidisciplinar baseada em Nova York, é Mestre em Pensamento moderno e Literatura, e Doutora em Artes e Cultura Visual. Combinando performance e meios digitais, seus trabalhos tratam do estranhamento entre culturas, o racismo e a violência política. Participou das Bienais de Veneza, do Whitney Museum (NY) e de Xangai, entre outras mostras.

Futebol, Frente 3 de Fevereiro

Futebol, Frente 3 de Fevereiro, Vídeo, 40’, 2005   

O episódio de racismo envolvendo o jogador brasileiro Grafite e o argentino Leandro Desábato, em abril de 2005, serve de ponto de partida à performance do coletivo, que trabalha com intervenções urbanas. É formado por Daniel Lima, Achiles Luciano, André Montenegro, Cibele Lucena, Eugênio Lima, Felipe Teixeira, Fernando Coster, Fernando Sato, Julio Dojcsar, Maia Gongora, Maurinete Lima, Maysa Lepique, Nô Cavalcanti, Pedro Guimarães, Sônia Montenegro, Roberta Estrela D’Alva e João Nascimento.

Veja aqui o depoimento de Maurinete Lima e de Eugênio Lima do grupo Frente 3 de Fevereiro, durante o 15º Festival de Arte Contemporânea Sesc Videobrasil em 2005.

Frente 3 de Fevereiro (São Paulo, 2004)

Grupo transdisciplinar de pesquisa e ação direta criado em 2004 em São Paulo, tem como alvo o racismo estrutural brasileiro. Alinhado a uma vertente histórica de interação entre espaço urbano e resistência negra, participou de exposições no IMS/SP (2020), Galpão Videobrasil (2017) e Museo Universitario Arte Contemporáneo, Cidade do México (2014), entre outras. 

Urgência social, Marco Paulo Rolla

Urgência social, Marco Paulo Rolla, Vídeo, 23’, 2005   

Nas performances de Marco Paulo Rolla, o acaso programado emerge para espatifar um cotidiano de fausto e conforto – e, frequentemente, para transfigurar a assepsia do cubo branco. Urgência Social aguarda os visitantes com a possibilidade do inesperado dentro da rotina. O artista lançou no 15º Festival o livro M.I.P. – Manifestação Internacional de Performance, com o professor Marcos Hill, com quem coordenava o Centro de Experimentação e Informação de Arte (CEIA), em Belo Horizonte.

Saiba mais sobre a obra aqui.

Marco Paulo Rolla (Brasil, 1967)

Graduado e Mestre em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, atua como performer, cenógrafo e figurinista de espetáculos de dança e teatro. É criador, coordenador e editor do Centro de Experimentação e Informação de Arte - CEIA (Belo Horizonte). Em 1999, concluiu residência na Rijksakademie van Beeldende Kunsten, em Amsterdã. Já realizou exposições individuais no Brasil e no exterior e participou de exposições coletivas em diversas instituições, como Bienal de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Rohrbach Zement, Dotternhausen, Alemanha; Muu Gallery, Helsinki, Finlândia; Fondazione Pistoletto, Biella, Itália. Vencedor do Prêmio de Aquisição do Salão Nacional da Funarte (Rio de Janeiro) e do Prêmio Edgard Gunther de Pintura do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Seus trabalhos encontram-se em diversos acervos, como o do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do Instituto Itaú Cultural (São Paulo), do Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte) e da Funarte (Rio de Janeiro).

 

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Published in 7/06/2022

Updated in 9/06/2022

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2013“Coverman”, “Reboot” e “Batendo amalᔓCoverman”, “Reboot” e “Batendo amalá”
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