Inicio Abertura Oceano Atlântico – Conexão Brasil – África

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Velejar pelos oceanos não é uma experiência simples de ser vivida. Mas você provavelmente já assistiu a um desses clássicos, Titanic, Náufrago e Posseidon, o que eles têm em comum? Cenas lindas em alto mar, que mostram a imensidão dos oceanos. Imagine uma dessas cenas, você em alto mar, contemplando o oceano que some no horizonte. Diante dessa visão, você consegue pensar em como surgiu esse vasto mar?

Bom, nosso planeta Terra tem aproximadamente 71% da superfície coberta por água. A distribuição dos continentes como conhecemos hoje era bem diferente há cerca de 200 milhões de anos atrás, todos eles formavam um só continente, que hoje intitulamos de Pangeia. A separação deste supercontinente foi fundamental para o início da abertura dos oceanos.

Estima-se que por volta de 225 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar por meio da separação das placas tectônicas que sustentavam a grande massa continental, separando o supercontinente em várias porções menores de terra. A Terra é dividida em placas que são porções de crosta terrestre separadas por fissuras. Quando essas placas entram em atividade podem se chocar, se sobrepor ou se separar, e com isso moldar os relevos e formação dos continentes.

A Abertura do Oceano Atlântico

A partir da separação da Pangeia duas massas continentais menores se formaram: a Laurásia, formada pela América do Norte, Europa e Ásia e a Gondwana formada pela América do Sul, África, Índia, Oceania e Antártica.

A formação do Oceano Atlântico se inicia com a fragmentação da Laurásia, separando a porção que viria a ser o continente Norte Americano e a região da Eurásia. Mais tarde no processo geológico se iniciou a abertura de uma estrutura chamada dorsal meso-oceânica que se localiza atualmente bem no meio do Oceano Atlântico e atravessa toda a sua extensão. Esta falha surgiu do fluxo de magma para regiões mais externas do manto, fazendo com que uma região da crosta ficasse menos espessa, e possibilitasse o fluxo de magma para fora da falha.

O magma ao ser expelido para fora do manto forma o basalto, rocha predominante das plataformas oceânicas, e dessa forma a água de nascentes e chuvas é depositada nesses locais. A partir de todo esse processo, cheio de detalhes que se forma o oceano. Claro que, foram milhões de anos até que chegasse ao resultado como conhecemos hoje.

Mas, em resumo, a abertura dos oceanos e o início do Oceano Atlântico surgiu da separação dos paleocontinentes Laurásia e Gondwana, que levou a abertura da dorsal meso-oceânica. Essa atividade é gerada a partir do movimento das placas tectônicas que continua em atividade ainda hoje, separando a África e a América do Sul pouco a pouco a cada ano. (LINK COM A PANGEIA)

A Paleontologia na Geologia dos Continentes

Todas essas descobertas já mencionadas levaram milhões de anos para ocorrerem, mas se faz tanto tempo assim, como é possível afirmar com certeza que foi assim que tudo aconteceu?! Simples! Por meio de pesquisas e principalmente através da Paleontologia.

A paleontologia é a ciência responsável por estudar a vida em tempos passados por meio de evidências que podem ser fósseis e icnofósseis. Com a paleontologia, cientistas conseguiram e conseguem até hoje estabelecer com fidelidade como era o planeta em tempos passados, quais animais existiam, quando surgiram espécies que existem hoje, e quando espécies foram extintas e até como foram extintas. Um exemplo popularmente conhecido é a grande extinção em massa do Cretáceo-Paleógeno causada pelo impacto de um meteorito na Terra, que extinguiu todos os dinossauros não-avianos e muitos outros grupos de animais, fungos e plantas.

Os fósseis de algumas espécies terrestres foram encontrados ao longo de toda a extensão dos continentes que formavam a Gondwana. Peguemos como exemplo o Cynognathus, um réptil terrestre pré-histórico já extinto. Fósseis deste réptil foram encontrados tanto na América do Sul quanto na África. Se a Terra fosse formada por continentes separados, como conhecemos hoje, seria impossível que uma espécie terrestre atravessasse sozinha todo o oceano atlântico entre um continente e outro. Para que a distribuição geográfica desse fóssil tenha ocorrido da forma como foi descoberta, os continentes teriam que ter estado unidos em algum momento da história.

Claro que esse fóssil não foi o único usado como evidência. Diversos outros fósseis confirmam que a Gondwana existiu, dando um forte suporte para essa teoria. O Muses possui algumas peças fósseis que foram fundamentais no processo de validação dessa teoria e que podem ser vistas de perto na exposição do museu. Um desses fósseis é de um grupo muito popular entre os fãs da saga Jurassic Park, é o Pterossauro, o outro fóssil é um tanto curioso e se chama Coprólito de Peixe. Ambos foram extraídos da Bacia do Araripe, no Ceará.

O Pterossauro

O Pterossauro data de mais ou menos 120 milhões de anos atrás. Esse gênero, também intitulado de Anhanguera tinha uma envergadura (distância da ponta de uma asa até a outra) de 4.6 metros e cristas arredondadas na ponta das suas mandíbulas que protegiam seus dentes. Os representantes deste gênero contavam com grandes bicos e com fortes dentes nas pontas, um indicativo de que eram carnívoros e que muito provavelmente possuíam uma dieta composta de peixes e outros seres que pudessem ser facilmente pescados.

O grande pterossauro, muitas vezes confundido como uma espécie de dinossauro, é na verdade um Réptil voador. A descoberta de uma jazida com inúmeros pterossauros juvenis, indicou que esses animais procriavam em colônias como as aves marinhas atuais. Em outra ocasião encontraram um

dente de espinossauro cravado numa vértebra de pterossauro, fato que apontou que eles eram presas pelo menos deste dinossauro. Essas são algumas pistas sobre o comportamento do animal.

Sobre a evolução dessa espécie, o que se sabe é que os primeiros pterossauros tinham mandíbulas cheias de dentes e uma cauda longa e que ao longo do processo evolutivo chegaram a apresentar uma estrutura quase sem dentes na mandíbula, assemelhando-se a um bico, e uma cauda bastante reduzida. Além disso, sabe-se que a asa era uma membrana corporal em conexão com os dedos da pata anterior.

O maior fóssil de pterossauro já encontrado, data de aproximadamente de 110 milhões de anos e foi encontrado na região nordeste do Brasil, mais especificamente na Chapada de Araripe, no ano de 2013. O fóssil mede cerca de 8,5m de comprimento, medidos pelas asas.

O pterossauro foi extinto há milhões de anos mas ainda não há uma certeza sobre como isso ocorreu de fato. Pesquisas identificaram através do estudo do extrato e de camadas de rochas da época, uma camada rica em irídio, um elemento químico pouco abundante na Terra, mas geralmente associado a corpos extraterrestres e fenômenos vulcânicos. A descoberta fortalece a teoria de que a catástrofe que levou a extinção dos pterossauros e outras espécies da época, foi resultado da colisão de um asteroide com o planeta, o que teria acontecido há mais ou menos 65,5 milhões de anos.

O Pterossauro do Muses

A peça exposta no Muses é uma réplica do crânio em tamanho real, de um pterossauro que pertenceu ao grupo dos maiores desta espécie, que viveram no Brasil. Ela foi adquirida junto ao Museu Nacional. O crânio do pterossauro do Muses mede cerca de 80 cm de comprimento por 20 cm de altura e possuía uma envergadura alada de aproximadamente 4m, datando de 110 milhões de anos atrás.

O fóssil original foi encontrado em março de 2013, no nordeste do país, pela pesquisadora Taissa Rodrigues, professora adjunta no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo - Ufes. A importância dessa peça se justifica pelo valor que a espécie tem para a fauna pré-histórica do Brasil. A Bacia do Araripe é uma das mais importantes do mundo e esse animal foi encontrado nesta região.

Pterossauros “capixabas”?!

Como já mencionado, essa espécie viveu há muitos milhões de anos atrás, na época em que o Espírito Santo estava longe de ser chamado de terras capixabas. Além disso, a evidência de existência de cadeias montanhosas no período cretáceo indica que os pterossauros podem ter vivido na região do Espírito Santo, mas as rochas com as mesmas idades estão hoje no fundo do mar. Foram animais típicos da fauna pré-histórica brasileira, tanto que o Brasil é um dos três países mais importantes em relação à diversidade de pterossauros, juntamente com a Alemanha e a China.

Coprólito de peixe

Outra peça fóssil disponível no acervo do Muses é um coprólito de peixe. Esse fóssil de nome curioso, nada mais é do que fezes fossilizadas. Exatamente isso, fezes de peixe. Esse icnofóssil não representa o próprio indivíduo mas um rastro da sua existência.

Apesar de parecer estranho, os coprólitos são muito importantes para o estudo da paleofauna, pois é por meio deles que é possível identificar com mais precisão quais eram os os hábitos alimentares de um determinado animal por vezes extinto. Através do estudo do coprólito é possível identificar se há resto de plantas e animais que foram comidos, qual era a dieta da espécie analisada, de quais grupos o animal em análise se alimentava, se havia predileção por um específico ou se era um animal de dieta menos específica, por exemplo. Na ciência e no estudo da história natural tudo é passível de informação.

De acordo com Rodrigo Figueredo, paleontólogo e diretor do Muses os coprólitos são interessantes porque são icnofósseis, registros da atividade biológica de um organismo, mas que não é parte do organismo em si.

Desse modo, por mais que pareça não haver muita razão para o estudo de fezes fossilizadas a realidade é totalmente contrária, já que o coprólito de um organismo, para a paleontologia, é mais um material que pode ajudar muito nas pesquisas sobre a evolução da vida no planeta. Um exemplo que ajuda na compreensão é pensar que assim como a poluição funciona como evidência do que nós, seres humanos, temos deixado na Terra, os coprólitos são provas do que esses animais deixaram sobre sua vida aqui.

Os Iconfósseis, além dos coprólitos, podem ser também: pegada fossilizada, um relevo e/ou um túnel.

Coprólito de peixes do Muses

A peça exposta no Muses foi doada pelo laboratório de Geologia do campus de Alegre da Ufes em 2010, ano da inauguração do museu.

O coprólito de peixe exposto no Muses foi retirado da Bacia do Araripe, como já mencionado, e na época chegou ao laboratório de Geologia de Alegre através XXXXXXXXXX. DIZER QUEM TROUXE E COM QUAL INTUITO.


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Published in 26/02/2021

Updated in 26/02/2021

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