Formação dos planetas do nosso sistema solar

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A formação dos planetas e do sistema solar: o início de tudo com o Meteorito de Guaçuí

Observe o lugar no qual você está agora. Afaste-se a ponto de visualizar a cidade na qual está, como se estivesse voando em um balão. Se distancie um pouco e imagine do alto o Estado. Depois, tente visualizar o país. Suba um pouco mais e veja o continente. Observe. Por fim, se distancie a ponto de avistar a terra, como se estivesse no espaço. Agora pense que, há cerca de 4,57 bilhões de anos, toda essa imensidão era apenas gases e poeira cósmica.

Pode parecer surreal, mas, para chegar ao resultado da Terra como conhecemos hoje, ocorreu um lento processo de contração e rotação de uma enorme nuvem de gases e poeira cósmica, intitulado de nebulosa solar. A hipótese da nebulosa foi proposta por Immanuel Kant, em 1755. O filósofo acreditava e defendia que as nebulosas, como são chamadas as nuvens formadas por gases e poeira do cosmo, giravam lentamente em torno da sua origem.


Ao longo desse processo, a velocidade de rotação dessa nuvem foi aumentando progressivamente e essa ação fez com que a nuvem assumisse o formato de um disco achatado. O centro da nuvem acumulou a maior parte dos gases e poeira levando à formação do Sol. Ao redor do astro rei, passando por esse mesmo processo de rotação dos gases e poeira cósmica, foram surgindo aglomerados que, com o tempo, resultaram em diversos protoplanetas – matéria condensada que forma a fase inicial na evolução de um planeta. O resultado de todo esse processo são os oito planetas principais, além de cometas e meteoros. Todo o sistema solar está situado na Via Láctea, juntamente com as centenas de bilhões de estrelas que formam essa galáxia.

O início desse processo de formação dos planetas do Sistema Solar faz parte do período Hadeano, cerca 4,57 bilhões de anos atrás, como já mencionado. Esse período termina com a formação da Terra, há aproximadamente 3,85 bilhões de anos, quando surgem as primeiras rochas, marcando o início do período Arqueano, onde apareceram as primeiras formas de vida unicelulares da Terra.

Os planetas do sistema solar e outros corpos celestes

Os planetas que se formaram ao redor do Sol possuem características próprias e são classificados a partir delas. Por isso, são divididos em dois grupos: telúricos e os grandes planetas.

A Terra compõe o grupo dos planetas telúricos, juntamente com Mercúrio, Vênus e Marte. Todos eles ficam mais próximos do Sol e são formados majoritariamente por rochas. O grupo dos grandes planetas é formado por Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. São planetas construídos a partir da predominância de gases e apresentam maior tamanho comparado aos telúricos, mas possuem menor densidade.


Grupo dos planetas telúricos: Mercúrio, Venus, Terra e Marte.

Você pode estar se questionando: “Mas falta um planeta! Onde está Plutão?!”. Atualmente, Plutão não é um planeta do sistema solar. Pesquisas de 2006 da União Astronômica Internacional (UAI) estabeleceram três conceitos essenciais para classificar um planeta: orbitar ao redor de uma estrela, ter gravidade própria e possuir órbita livre. Porém Plutão não possui uma órbita livre e ficou de fora do grupo dos planetas do sistema solar. Hoje, ele é considerado um planeta-anão. Como sua gravidade não é intensa, objetos continuam orbitando ao seu redor. Sem força para atrair esses objetos para si, Plutão segue com uma órbita não livre.

Além de todas essas características, os planetas também se movimentam. Podendo ser o movimento de rotação, em torno de seu próprio eixo, com duração de 1 dia; ou movimento de translação, em torno do sol, levando 1 ano. Todos os planetas orbitam ao redor do Sol no mesmo plano e nenhum emite luz própria.

Toda essa imensidão espacial também é composta por meteoros, cometas, asteroides e meteoritos, corpos espaciais ligados à acontecimentos históricos, que como visto, vão desde a origem do sistema solar e ainda hoje contribuem com descobertas recentes sobre a formação da Terra e de outros corpos planetários.

Os cometas são formados por gelo, poeira cósmica e gases congelados; e os asteroides por rocha e metal. Quando asteroides ou cometas entram na órbita da Terra, eles explodem e se transformam nos chamados meteoros. Caso os detritos desses meteoros cheguem a cair na superfície terrestre, eles recebem o nome de meteoritos. Quando um meteorito chega à superfície terrestre ele pode ser de três tipos: Metálico (siderito), composto por ferro (apx.85%) e níquel (apx. 14%); Metálico-rochoso (siderólito), composto por liga de ferro-níquel (apx. 50%) e outros minerais (apx. 50%); e do tipo Rochoso (aerólito), que apresenta composição sem muita mistura contando com côndrulos e podendo conter partículas de ferro. Esse último é exatamente o tipo encontrado em Guaçuí, no sul capixaba, e que pode ser visto de perto na exposição do Muses.


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A Terra como conhecemos nasceu a partir de diversos fragmentos espaciais que foram se aglomerando. Para ser formado, nosso planeta foi sendo bombardeado por detritos que também estavam na órbita do sol. Ao longo de bilhões de anos aconteceram muitas colisões que foram moldando o que hoje é conhecido como Terra.

O meteorito de Guaçuí no Muses

O meteorito rochoso (condrito) encontrado em Guaçuí teve sua queda registrada em 2010. Com a queda, o meteoro se dividiu em meteoritos que foram encontrados em Guaçuí, no sul capixaba, e em Varre-Sai, uma cidade do Rio de Janeiro que faz divisa com o Espírito Santo.

Os meteoritos foram encontrados por moradores da região, tanto no Espírito Santo, quanto no Rio de Janeiro. No Estado carioca, a primeira parte foi encontrada pelo agricultor Germano Oliveira, e em Guaçuí, pelo Campeiro Antônio Sobrinho. O Meteorito de Guaçuí é a primeira queda de um bólido espacial registrada no Estado capixaba.


Os meteoritos que foram localizados a partir da queda desse bólido espacial, hoje, estão distribuídos entre o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que comprou a parte encontrada por Antônio Sobrinho; o agricultor Germano, que encontrou a parte que havia caído em Varre-Sai, no Rio de Janeiro; e o Muses, que recebeu a peça de uma doação feita pelo professor de Geologia Caio Turbay, que na época era professor da Ufes - Campus de Alegre.


Meteorito cai em guaçuí

O professor Caio conta que, na época, ele morava com a família em uma zona rural de Alegre, município próximo à Guaçuí. O filho e a esposa do professor avistaram uma bola de fogo cruzando o céu e ouviram uma explosão. No dia seguinte, foi noticiado a descoberta do fragmento em Varre-Sai. O professor foi em busca desse fragmento, mas sem sucesso. Ele deixou a notícia pela cidade de Guaçuí, pedindo para que quem encontrasse algum fragmento fizesse contato com a Universidade. Semanas depois, o professor recebeu o contato de um funcionário da prefeitura de Guaçuí informando que um agricultor da região havia encontrado uma parte. Esse agricultor era Antônio Sobrinho. A princípio ele queria vender a peça, mas emprestou para o professor fazer pesquisas e análises. O professor cortou uma fatia do fragmento e devolveu a outra parte para o agricultor, que depois vendeu o fragmento encontrado à uma pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Esse fragmento que ficou com o professor Caio foi doado ao Muses. Parte ainda está com o professor, que hoje atua na Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB.

A queda e até mesmo a chuva de meteoritos não é um fenômeno tão raro, porém normalmente caem no mar ou em lugares de difícil acesso.

Impactos históricos e transformadores

Os impactos que se originam da queda de um meteoro, meteorito, podem ser avassaladores, podendo mudar completamente o rumo da história do planeta. Ao longo da história mais recente, a Terra recebeu o impacto de três grandes meteoros.

Em 1908, mais especificamente em 30 de junho, caiu na região da Sibéria, no Império Russo, um meteorito que, além de ter gerado uma grande explosão, devastou uma área de milhares de quilômetros quadrados. Como o impacto foi próximo ao rio Podkamennaya Tunguska, a queda ficou conhecida como Evento de Tunguska.


Área devastada por um meteorito na Sibéria, próximo ao rio Podkamennaya Tunguska. O fato ficou conhecido como Evento de Tunguska.

O segundo grande impacto foi com o meteorito de ferro. A queda foi no ano de 1947, no sudeste da Rússia, e o meteorito ficou conhecido como Sikhote-Alin.

O caso mais recente de uma queda de grande impacto também aconteceu na Rússia. O Meteoro de Cheliabinsk, como é conhecido, entrou na atmosfera terrestre em 15 de fevereiro de 2013 e se transformou em uma bola de fogo que cruzou o céu da região, explodindo na cidade de Cheliabinsk.


Meteoro causa destruição na cidade de Cheliabinsk, na Rússia.

Essas são as quedas mais recentes, mas há eventos que foram capazes de extinguir toda uma população, como o caso do asteroide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos atrás e levou à extinção dos dinossauros avianos. O meteorito com 15 km de diâmetro fez um buraco de 100 km de extensão e 30 km de profundidade na crosta terrestre, na região que hoje é conhecida como Península de Yucatán. Estudiosos apontam que não foi só o tamanho do meteorito que influenciou na extinção de inúmeros seres vivos, mas principalmente o local em que ele caiu. O asteroide atingiu uma área do mar considerada rasa. E o impacto foi com rochas de gesso mineral, que liberaram quantidades colossais de enxofre na atmosfera. Os gases de enxofre são altamente tóxicos e densos. Se o asteroide tivesse caído em um local diferente, o resultado poderia ter sido outro.


Cratera de Chicxulub criada pelo meteoro responsável pela extinção dos dinossauros, há aproximadamente 66 milhões de anos.

Outra queda avassaladora ocorreu há 50 mil anos atrás, na região que hoje é o Arizona. O meteorito tinha aproximadamente 50 m e caiu numa velocidade de 40 mil km/h com a força de uma bomba de hidrogênio. O resultado do impacto é conhecido hoje como Cratera de Barringer, uma cratera de pouco mais de um quilômetro de diâmetro e 200 m de profundidade, formada pela energia da explosão.


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No Brasil, uma das crateras mais famosas geradas por um meteorito é a cratera de Araguainha, também conhecida como Domo de Araguainha, que possui 40 km de diâmetro, correspondendo a uma área de aproximadamente 1,3 mil km². Na área caberia a região metropolitana de São Paulo, para se ter uma ideia. Além de ser a maior do Brasil, ela também é considerada a maior da América do Sul.

Domo de Araguainha. Cratera crada por um meteoro que atingiu a terra há cerca de 250 milhões de anos.

Apesar desses casos de devastação, hoje esses acontecimentos são mais raros, pois a atmosfera terrestre queima quase tudo que tem menos de 35m de diâmetro e tenta passar por ela. Por isso, o que realmente chega à Terra são condritos menores.

Meteorito: fonte de pesquisas e aprendizados

Os meteoritos são dejetos de quando os planetas se formaram há bilhões de anos. Eles são registros da origem do sistema solar e por isso são de grande valor científico.

No geral, eles datam de 4,7 a 4,5 bilhões de anos. A margem de erro, para mais ou para menos, gira em torno de 90 a 100 milhões de anos. Essas datas são idades muito próximas à origem do sistema solar.


Os meteoros são registros da origem do Sistema Solar.

No caso do Meteorito de Guaçuí, o professor Caio Turbay contou que houve uma tentativa de datação da peça, mas como o pedaço em análise não era muito grande a detecção foi muito difícil. E para não perder mais do material em análises, a datação não foi realizada. Porém acredita-se que o Meteorito de Guaçuí seja desse período da origem do sistema solar.

O professor Caio ainda ressaltou que: “Existem alguns tipos de meteoritos que caem na Terra que vêm de Marte. São corpos que foram colocados no espaço por impacto de outros asteroides em Marte ou em outros planetas próximos da terra que fornecem idades mais jovens, mas são meteoritos bem diferentes desses condritos, desses meteoritos mais comuns, são rochas basálticas, são bem diferentes e com idades bem mais jovens, relativos por exemplo a formação crosta de Marte.”.


Alguns meteoritos que atingem a Terra vêm de Marte, segundo o professor Caio Turbay.

Através de uma análise dos elementos químicos presentes no meteorito de Guaçuí, foi possível identificar que ele pertencia a um corpo que havia começado a se diferenciar, ou seja, a passar por um processo de evolução, mesmo que pequeno, mas similar com o que aconteceu no início da formação de planetas como a Terra.

De acordo com o professor Turbay, essa descoberta é uma contribuição significativa em termos de conhecimento em relação aos condritos, pois, a princípio, pensava-se que o fragmento de Guaçuí era um material original do sistema solar, como fragmentos de outras quedas, que não sofreu evolução química nenhuma, mas as análises mostraram essa pequena diferenciação, revelando essa nova possibilidade sobre os meteoritos.

O professor ainda completou: “Na ciência atual, nunca é esperado uma descoberta extraordinária, mas às vezes acontece, são fortuitas. Quando a gente está muito tempo em cima de um tema, pode haver modificações contundentes no conhecimento científico, mas como há bastante conhecimento já mapeado, as contribuições são pequenas, a gente acrescenta uma contribuição aqui outra ali e as coisas vão acontecendo.”.

No Espírito Santo o meteorito de Guaçuí ainda é o único registrado no Brasil. De acordo com o mapeamento do site Meteoritos.com, há um total de 78 meteoritos com quedas registradas no país.


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Published in 6/10/2020

Updated in 19/02/2021

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