António de Spínola

15/05/1974View on timeline

António Sebastião Ribeiro de Spínola (Estremoz, Santo André, 11 de Abril de 1910 — Lisboa, Ajuda, 13 de Agosto de 1996) foi um militar e político português, décimo quarto presidente da República Portuguesa e o primeiro após o 25 de Abril de 1974.


Spínola nos anos '90
Assinatura

Biografia

Filho de António Sebastião Spínola e de sua mulher Maria Gabriela Alves Ribeiro, filha dum galego, estabelecido como comerciante no Funchal.

Estudou no Colégio Militar, em Lisboa, entre 1920 e 1928. Em 1939 tornou-se ajudante de campo do Comando da Guarda Nacional Republicana.

Germanófilo, partiu em 1941 para a frente russa como observador das movimentações da Wehrmacht, no início do cerco a Leninegrado, onde já se encontravam voluntários portugueses incorporados na Blaue Division.

A 23 de Janeiro de 1948 foi feito Oficial da Ordem Militar de Avis, tendo sido elevado a Comendador da mesma Ordem a 16 de Maio de 1959.

Em 1961, em carta dirigida a Salazar, voluntaria-se para a Guerra Colonial, em Angola. Notabilizou-se no comando do Batalhão de Cavalaria n.º 345, entre 1961 e 1963.

Foi nomeado governador militar da Guiné-Bissau em 1968, e de novo em 1972, no auge da Guerra Colonial, nesse cargo, o seu grande prestígio tem origem numa política de respeito pela individualidade das etnias guineenses e à associação das autoridades tradicionais à administração, ao mesmo tempo que continuava a guerra por todos os meios ao seu dispor que iam da diplomacia secreta (encontro secreto com Léopold Sédar Senghor presidente do Senegal) e incursões armadas em países vizinhos (ataque a Conakri, Operação Mar Verde).

A 6 de Julho de 1973 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Em Novembro de 1973, regressado à metrópole, foi convidado por Marcello Caetano, para a pasta do Ultramar, cargo que recusou, por não aceitar a intransigência governamental face às colónias.

A 17 de Janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que foi afastado em Março. Pouco tempo depois, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, publica Portugal e o Futuro, onde expressa a ideia de que a solução para o problema colonial português passava por outras vias que não a continuação da guerra.

A 25 de Abril de 1974, como representante do Movimento das Forças Armadas, recebeu do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a rendição do Governo (que se refugiara no Quartel do Carmo). Isto permitiu-lhe assumir assim os seus poderes públicos, apesar de essa não ter sido a intenção original do MFA.

Instituída a Junta de Salvação Nacional (que passou a deter as principais funções de condução do Estado após o golpe), à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas para exercer o cargo de Presidente da República, cargo que ocupará de 15 de Maio de 1974 até à sua renúncia em 30 de Setembro do mesmo ano, altura em que foi substituído pelo general Costa Gomes.

Descontente com o rumo dos acontecimentos em Portugal após a Revolução dos Cravos (designadamente pela profunda viragem à esquerda, à qual eram afectos muitos militares, e pela perspectiva de independência plena para as colónias), tenta intervir activamente na política para evitar a aplicação completa do programa do MFA. A sua demissão da Presidência da República após a manifestação falhada de 28 de Setembro de 1974 (em que apelara a uma «maioria silenciosa» para se fazer ouvir contra a radicalização política que se vivia), o seu envolvimento na tentativa de golpe de estado de direita da Intentona do 11 de Março de 1975 e sua fuga para a Espanha (depois para o Brasil) são exemplos disso. No mesmo ano, presidiu ao MDLP.

Não obstante, a sua importância no início da consolidação do novo regime democrático foi reconhecida oficialmente a 5 de Fevereiro de 1987, pelo então Presidente Mário Soares, que o designou Chanceler das Antigas Ordens Militares Portuguesas, tendo-lhe também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (a segunda maior insígnia da principal ordem militar portuguesa), pelos «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura» a 13 do mesmo mês e ano. A 20 de Março de 1989 recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha.[6]

A 13 de Agosto de 1996, Spínola morre aos 86 anos, vítima de embolia pulmonar.

Retrato oficial do Presidente António de Spínola, por Francisco Lapa. Museu da Presidência da Repúbl...

O Sonho de regressar ao Poder

Spínola tencionava voltar ao poder eliminando todos os seus adversários políticos, pelo menos segundo o livro "Aufdeckung einer Verschwörung - die Spínola Aktion", de Günther Wallraff que afirma ter-se infiltrado no MDLP como um potencial fornecedor de armas ao movimento, afirmando trabalhar para Franz Josef Strauss, então líder da União Social-Cristã na Baviera. Spínola ter-se-á mesmo encontrado com Walraff com o fim de negociar a compra de armamento, a quem terá dito que já tinha vários pontos de apoio no Alentejo e que estava prestes a tomar o poder.

Homenagem

A Câmara Municipal de Lisboa homenageou o antigo Presidente da República Portuguesa, falecido nesta cidade a 13 de Agosto de 1996, aos 86 anos, atribuindo o seu nome a uma grande artéria da urbe, nas freguesias de Marvila e S. João de Brito.

Principais obras

Por Uma Guiné Melhor (1970);

Linha de Acção (1971);

No Caminho do Futuro (1972);

Por Uma Portugalidade Renovada (1973);

Portugal e o Futuro (1974);

Ao Serviço de Portugal (1976);

País sem Rumo - Contributo para a História de uma Revolução (1978).

ANTÓNIO DE SPÍNOLA

0 comments

Comment

No comments avaliable.

Author

Info

Published in 27/02/2019

Updated in 19/02/2021

All events in the topic Governantes:


Invalid DateMarcelo Rebelo de SouzaMarcelo Rebelo de Souza
Invalid DateAníbal Cavaco SilvaAníbal Cavaco Silva
Invalid DateJorge SampaioJorge Sampaio
Invalid DateMário SoaresMário Soares
Invalid DateAntónio Ramalho EanesAntónio Ramalho Eanes
Invalid DateFrancisco da Costa GomesFrancisco da Costa Gomes
Invalid DateAntónio de SpínolaAntónio de Spínola
Invalid DateAmérico ThomazAmérico Thomaz
Invalid DateFrancisco Craveiro LopesFrancisco Craveiro Lopes
Invalid DateÓscar CarmonaÓscar Carmona
Invalid DateManuel Gomes da CostaManuel Gomes da Costa
Invalid DateJosé Mendes CabeçadasJosé Mendes Cabeçadas
Invalid DateManuel de ArriagaManuel de Arriaga
Invalid DateTeófilo BragaTeófilo Braga
Invalid DateSidónio PaisSidónio Pais
Invalid DateJoão do Canto e CastroJoão do Canto e Castro
Invalid DateAntónio José de AlmeidaAntónio José de Almeida
Invalid DateManuel Teixeira GomesManuel Teixeira Gomes
Invalid DateBernardino MachadoBernardino Machado
Invalid DateBernardino MachadoBernardino Machado
Invalid DateDitadura do Salazar (Estado Novo)Ditadura do Salazar (Estado Novo)