Você se lembra da primeira vez em que assistiu televisão? É uma história marcante na sua vida? Pode ser que você consiga responder essas perguntas de forma positiva, só que é bem improvável. Isso porque o audiovisual bem como sua narrativa são coisas que já estamos muito acostumados por lidar desde sempre. 

Talvez, se você for de uma geração mais antiga, seu primeiro contato com vídeo possa ser algo que guarde na memória. Só que para as gerações mais novas, o vídeo é algo tão normal como respirar. Neste texto vamos abordar uma pequena parte de um assunto muito amplo que é o vídeo: a videoarte. 

É interessante saber que o ser humano sempre consegue conciliar a arte com a tecnologia, a videoarte é a prova viva disso. Neste texto, vamos entender conceitos, aplicações e principalmente, conhecer artistas que bebem da fonte da videoarte em seus trabalhos, os videoartistas.

 

Um breve olhar sobre a videoarte 

Nada melhor do que entender a história de um assunto para fazer uma imersão completa em seus detalhes e compreender melhor do que se trata. Por isso, vamos começar a definição explicando um pouco do contexto histórico da videoarte. 

Primeiramente, é preciso entender que no final da década de 60, a redução de custos e a difusão do vídeo fez com que houvesse um incentivo para o uso que não fosse comercial do meio. Isso quer dizer que, filmar deixou de ser somente um processo caro e complexo e passou a ser uma atividade que podia ser feita em uma casa, por exemplo. Claro que, no princípio, não era qualquer pessoa que podia comprar, mas o fato é que o vídeo deixou de ser monopólio de grandes empresas.

Os artistas não poderiam ficar de fora dessa popularização da ferramenta, não é mesmo? A adesão foi mais predominante ainda nas obras de artistas que já lidavam com imagens fotográficas e fílmicas. De qualquer forma, isso quer dizer que, antes, tudo aquilo que se perdia no tempo, agora passa a ser registrado. Seja em qualquer modalidade como dança, música, pintura, teatro, escultura e literatura. 

Antes associados à outras mídias e linguagens, o vídeo bem como a televisão, entraram com tudo no universo da arte. A pop-art, o minimalismo e a arte conceitual criaram forma e cresceram a ponto de tomarem a cena entre os anos 60 e 70, com uma força maior nos Estados Unidos. Além de performances e happenings passarem a serem registradas, as instalações ganharam grandes monitores/projetores que tornaram o próprio vídeo em uma linguagem elementar na produção de arte moderna e contemporânea. 

Então, para resumir um conceito, entenda que a videoarte é um segmento de expressão da arte que se faz valer da tecnologia de vídeo em obras de artes visuais. É importante lembrar também que videoarte e cinema não são coisas correlatas e, mais adiante, você vai entender qual é a diferença entre videoarte e cinema. 

 

Qual é a origem da videoarte? 

Como dissemos anteriormente, a videoarte surgiu na década de 60 com a difusão e a diminuição de custos dos vídeos. E nessa época, é impossível falar da origem da videoarte sem citar Wolf Vostell, figura crucial da videoarte cujo pioneirismo se dá pela obra Sun in your head do ano de 1963 e também com a instalação 6 TV Dé-Coll/age  também de 1963. Mas foi em 1968 que a videoarte com seus vídeos despontou nas exposições por todo o mundo. De início, vindo como uma outra maneira de experimentação de novos meios para diversos artistas plásticos aplicarem em suas obras de arte. 

Partindo para a década de 70, surgiu o primeiro trabalho de videoarte de multicanais, ou seja, que utilizava muitos monitores ou telas. Esse trabalho foi o Wipe Circle de Ira Schneider e Frank Gilette e, foi o primeiro trabalho com vídeo a combinar imagens ao vivo de visitantes da galeria, imagens captadas de comerciais de TV e metragens de fitas de vídeo pré gravadas. Nele o material se alterna de um monitor para outro, criando uma coreografia elaborada. Por conta disso, ela foi a inauguração da participação direta do público com a obra, tendo em vista que quem visitava a exposição também fazia parte da obra. 

Já a década de 90 é considerada a era de ouro da videoarte, porque foi nela que se popularizou até mesmo para um público mais jovem, com a inauguração da MTV Americana. Quem não viajou assistindo aos comerciais? 

 

Videoarte e cinema: entenda qual é a diferenças

Talvez no início deste texto você deve ter pensado que daríamos uma volta só para dizer que videoarte e cinema são a mesma coisa. Mas o fato é que não são coisas iguais. Vamos entender o que difere eles. 

Vamos pensar em um vídeo experimental. Esse tipo de vídeo tem como objetivo procurar criar um roteiro que detém em sua estrutura uma linguagem cinematográfica de enredo. Já a videoarte escolhe mostrar sensações que simbolizam uma ideia por completo, um apanhado sintético do que se deseja passar, o que dispensa a importância do tempo, qualidade de imagem ou enredo e personagens. 

Outro ponto que vai diferenciar o cinema da videoarte é que a videoarte não compartilha de forma específica a perspectiva de exibição em salas escuras, cadeiras confortáveis e todos aqueles elementos que transformam o cinema em uma experiência muito singular.  

 

Conheça 5 grandes artistas da videoarte 

Dito as principais coisas sobre a videoarte, chegou o momento de listar aqui 5 grandes artistas que foram nomes importantes para a videoarte. Conheça um pouco sobre Nam June Paik, Pipilotti Rist, Yang Fudong, Keith Sonnier e Joan Jonnes. 

Nam June Paik 

Nam June Paik foi um artista sul-coreano considerado o precursor da videoarte onde desde 1960, trabalhou com a mídia para produzir arte. Ele usou principalmente a televisão e o vídeo, mas também se fez valer de instalações e satélites. Em suas obras, Nam June Paik explora o elo entre meios materiais e disciplinas artísticas. Ele foi um dos primeiros a perceber que o vídeo e a televisão tinham um grande potencial criador de novos caminhos artísticos. 

Paik conseguiu misturar a capacidade expressiva da performance com as novas tecnologias da imagem em movimento. Além disso, em suas obras, ele usa muito a televisão não somente como meio mas também como objeto de caráter escultural, a fim de subverter o uso convencional do aparelho através da criação de novas artes. 

Além da TV e do vídeo, como dissemos anteriormente, Paik também utilizava outras influências tecnológicas em suas obras como o satélites. 

Pipilotti Rist 

Pipilotti Rist é o grande nome da suíça quando o tema é a videoarte. Com início de carreira nos anos 80, Rist criou vídeos para compor cenários de shows, mas seu trabalho deixou de ser background para protagonizar o universo da videoarte. 

Via de regra, seu trabalho é descrito como arte surreal, íntima e abstrata. Nele, Rist tem uma preocupação com o corpo feminino e por conta disso, sua arte é classificada como arte feminista. Além de abordarem questões de gênero, sexualidade e corpo humano. 

Uma de suas grandes obras é o “Não sou a garota que falta muito” de 1986. Nela, Rist dança virada para uma câmera em um vestido preto e com seios à mostra, com imagens monocromáticas e confusas. Rist canta repetidamente “Eu não sou a garota que falta muito” como uma paródia da primeira linha da música dos Beatles “Happiness is a warm gun”. Conforme o vídeo chega ao ocaso, o volume diminui até atingir o silêncio. 

Yang Fudong

Nascido em Pequim, em 1971, Fudong é tido como uma dos mais notórios artistas contemporâneos da China. Seu trabalho explora temas históricos, sociais e políticos. Além de Yang ser um grande fã do enredo abstrato e fragmentado, onde tendeu na criação de longas sequências com o uso massivo do preto e do branco. 

No fim dos anos 90, seu trabalho foi exposto na China por meio das mais importantes exposições da vanguarda e, por conta disso, replicado em diversos outros países. Isso inclui apresentações solo em  grandes instituições como Parasol Unit, Museu Nacional de Arte Contemporânea em Atenas, Sociedade da Ásia em Nova York entre muitos outros lugares. 

Keith Sonnier 

Keith Sonnier foi um artista pós-minimalista que utilizou diversas mídias e técnicas como performance, vídeo, escultura, pintura e por aí vai. Aqui para este texto, vamos enfatizar sem trabalho no campo da videoarte. 

Sonnier foi muito importante na construção de conceitos com uma certa amplitude. Quando sua carreira começou, Sonnier desassociava as proporções simplesmente matemáticas do minimalismo para criar obras que não eram mais divididas pela matemática, mas sim pelas sensações e percepções que traziam. 

Joan Jonas 

Nascida em 13 de julho do ano de 1936, Joan Jonas é uma artista visual também considerada uma das pioneiras na arte de vídeo e performance. Além disso, Jonas é uma das artistas femininas mais importantes que apareceram no fim dos anos 60 e no início dos anos 70. Com isso, Jonas teve experimentos que serviram de base para muitas artes de performance de vídeo. 

Realizou seus trabalhos em diversos locais e instituições como a Walker Art Center de Minneapolis, The Kitchen de Nova Iorque, Museu de arte de São Francisco, Museu de Arte de Berna, Galeria Rosamund Felsen de Los Angeles entre muitos outros. 

 

Conclusão 

Deu para aprender mais sobre vídeo arte? Compreendeu que cinema e videoarte não são a mesma coisa? Nós esperamos que sim. Tomara que você conheça cada vez mais sobre esse assunto tão maravilhoso no universo da arte e que nos trouxe um novo olhar sobre a arte.