Para você que procura entender a importância das bienais para o mercado da arte, tenha certeza que você está no lugar certo. Mas, antes mesmo de discutirmos um pouco sobre as bienais, é importante apresentar as diferentes camadas e atores envolvidos nesse mercado.

Quando falamos em mercado de arte, pensamos na relação entre compradores e vendedores que negociam mercadorias, serviços e obras de arte comumente associados às várias artes. Esse mercado, também se preocupa com a produção de nova arte que entra em negociação.

O mercado da arte pode ser dividido em mercado primário e secundário. O primário é aquele, na qual as obras são vendidas pela primeira vez após serem criadas por um artista; o secundário lida com quaisquer revendas subsequentes, seja por meio de transação privada de um revendedor ou em leilão.

Os leilões são frequentemente considerados como a única referência viável para o valor de um objeto, pois o processo de formação de preços pode ser observado abertamente e os resultados geralmente são aceitos como objetivos. 

Os leilões existem desde a antiguidade clássica, embora tenham caído em desuso pela Idade Média. Durante o período renascentista na Itália, o patrocínio da arte floresceu, mas dificilmente havia um mercado líquido para objetos de arte portáteis do tipo que define os mercados de arte como os conhecemos hoje. Ao falarmos da arte e dos leilões somos obrigados a discutir um pouco sobre o espaço em que, na maioria dos casos, os leilões são realizados. Esse espaço arquitetônico pode ser chamado de galeria de arte ou museu, isso vai depender da importância cultural e histórica de determinada obra. 

Por isso, tais espaços expõem e comercializam adequadamente as obras de artes e são definidos para proporcionarem segurança e uma correta apreciação dos objetos expostos. Os museus apenas se diferenciam da galeria de arte, ao analisarmos as questões econômicas e de comercialização, pois uma galeria tem como função principal: vender a obra de arte e não apenas expô-la, já o museu, tem por finalidade expor determinadas obras, referente ao seu valor histórico e sua importância cultural. E é exatamente nas galerias de arte, em que as bienais acontecem, mas, não se preocupe, pois neste próximo tópico, você entenderá melhor o que são as bienais de arte. Quer saber mais sobre o mercado da arte? Acesse e baixe este material, um infográfico com riqueza de informações sobre o mercado da arte. 

 

O que são as bienais de arte? 

Ao entender melhor o mercado da arte, podemos nos aprofundar um pouco mais, sobre o conceito de bienal. Hoje, Bienais são vitrines internacionais para arte contemporânea tomando seu lugar a cada dois anos (etimologia-bi), e são as mais populares exposições desse tipo. No mundo globalizado de arte contemporânea, há mais de 100 bienais em cidades como São Paulo, Istambul, Moscou e Sydney competindo por curadores- estrelas e artistas de grande nome, e, cada vez mais, os eventos tornam-se uma fonte de orgulho local, turismo cultural gerando capital e receita para as cidades sedes.

Nas duas décadas que se estendem até o final do século XX e o início do século 21, bienais e feiras de arte se espalharam pelo mundo. Embora as feiras de arte tenham um interesse comercial específico, que as bienais não necessariamente possuem, ambas são estruturas institucionais projetadas para exibir obras de arte em uma escala transnacional impressionantemente grande. 

Elas geralmente incluem centenas, senão milhares, de exposições distintas que variam de pinturas e esculturas nos modos tradicionais até instalações de vanguarda e filmes e vídeos pós-modernos. Enquanto bienais e feiras de arte têm histórias que datam de muitas décadas. 

Ao falarmos em história, não poderíamos citar outra coisa senão a Timelinefy. A Timelinefy é uma ferramenta digital que possibilita contar histórias de diferentes maneiras e também organizar informações no tempo, de forma cronológica, por meio da estrutura de linhas do tempo. Por ser digital a ferramenta torna essa atividade uma experiência dinâmica e interativa diferente, mas ao mesmo tempo semelhante as metodologias utilizadas por museus e galerias de arte de se contar a história.

 

Como funcionam as bienais de arte? 

Como já mencionado, as bienais acontecem a cada dois anos, sendo assim, dentro deste percurso de dois anos, inúmeros artistas são descobertos, destacados e homenageados, dando a cada bienal diferentes temáticas e às personalidades artísticas distintas homenagens. As bienais são importantíssimas para o mercado da arte, pois, a partir das famosas bienais conseguimos identificar o sucesso de determinadas exposições, o trabalho, e inclusive seu valor. 

Fundada em 1895, a Bienal de Veneza é de longe a mais antiga e prestigiada. Ela foi criada precisamente para estabelecer uma plataforma para os participantes do mundo da arte para comparar e contrastar a arte criada em todo o mundo, e é coloquialmente conhecida como os “Jogos Olímpicos da Arte”. Sendo assim, até hoje, uma bienal como a de Veneza, possui o poder de apresentar ao mundo da arte, um nome desconhecido ou a ressuscitar o sucesso de personalidades que já se viam obsoletas. As bienais impactam não somente o mundo artístico cultural, mas também econômico, por sempre tratar de obras artística com altos valores aquisitivos. 

 

Conheça as 5 grandes bienais de arte ao redor do mundo 

Ao falarmos sobre as mais famosas bienais, que ditam o futuro da arte no mundo. Escolhemos 5 das mais importantes, ao redor do mundo. A partir dessas bienais, muitas coisas mudaram da água para o vinho, muitas tendências e artistas foram descobertos, como por exemplo, Pablo Picasso. 

A mais lembrada entre todas as Bienais de São Paulo, por exemplo, é conhecida como “Bienal da Guernica”, referenciando a mais famosa obra de Pablo Picasso, de 1937. Com quase o dobro de obras em relação à edição anterior, a 2ª Bienal foi realizada já no Parque Ibirapuera, aproveitando sua inauguração e ocupando dois pavilhões projetados por Oscar Niemeyer. 

Mesmo Picasso sendo um artista já de renome na época, deu à época, por meio da bienal, o grande boom da arte moderna que já se consolidava há alguns anos. Portanto, os impactos das bienais, desde sempre são importantes, para a vida e obra de um artista, inclusive para a vida artística daqueles que apreciam.

Bienal de arte de Veneza

Como já mencionado, a Bienal de arte de Veneza é a principal precursora deste universo da arte. Ela é realizada desde 1895, em Veneza, Itália. O nome “Bienal” deriva-se, naturalmente, da frequência bienal na qual se realizam os vários eventos, com exceção do Festival de Veneza, realizado anualmente. Nela são descritas as principais obras mais renomadas do período, instituições artísticas aliadas, escolas de belas artes, entre outras. Todo o evento é realizado sob a curadoria de diretores específicos da Bienal, artista que compõe o conselho de obras. O último evento foi no ano de 2010, de 11 de maio a 24 de novembro. Com data ainda não confirmada para o ano de 2021, a Bienal de Arte de Veneza, ainda se prepara para um retorno pós-pandêmico com muita arte. 

Bienal Internacional de São Paulo

Fundada em 8 de maio de 1962 pelo empresário Ciccillo Matarazzo, a instituição abriga um arquivo histórico sobre arte moderna e contemporânea que é referência na América Latina. Suas ações têm como alvo democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. Visitas orientadas às exposições, formação de professores, cursos presenciais e a distância, palestras e seminários são algumas das atividades desenvolvidas. A última Bienal Internacional de São Paulo aconteceu entre os dias 7 de setembro a 9 de dezembro de 2018, sendo considerada 33ª edição, nomeada como: AFINIDADES AFETIVAS. 

Neste ano de 2020, dois anos após a última Bienal, São Paulo já se preparava para sua nova bienal, entretanto, a organização da 34ª Bienal de São Paulo informou em julho de 2020, a nova data da mostra, alterada em virtude da pandemia de covid-19. Inicialmente prevista para começar em outubro próximo, a exposição deve ocorrer entre 4 de setembro e 5 de dezembro de 2021, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera. Com a mudança, o evento voltará a ser realizado em anos ímpares, tradição interrompida em 1994. 

Bienal de Liverpool

Fundada em 1998, a Liverpool Biennial apresenta a bienal britânica de arte contemporânea. Ocorrendo a cada dois anos nos espaços públicos da cidade, galerias e edifícios históricos, a Bienal encarrega os artistas de fazer e apresentar trabalhos no contexto de Liverpool. O festival é sustentado por um programa de pesquisa, educação, residências, projetos e comissões durante todo o ano. Desde a sua criação, a Bienal de Liverpool encomendou mais de 340 novas obras de arte e apresentou trabalhos de mais de 480 artistas de renome de todo o mundo. Entre os artistas apresentados em edições anteriores estão Yayoi Kusama, Takashi Murakami, Yoko Ono, Ai Weiwei e Franz West. 

A mais recente Bienal de Liverpool, assim como a Bienal de São Paulo, aconteceu no ano de 2018, de 14 de julho a 28 de outubro. Já a 11ª edição da Bienal de Liverpool estava programada para ocorrer em 2020, mas foi adiada devido ao surto de COVID-19. Agora reprogramado para 2021, o programa será entregue como originalmente concebido, mas responsivo ao novo contexto – com curadoria de Manuela Moscoso, com a lista de artistas anunciada em novembro de 2019.

Bienal de Istambul

A Fundação para a Cultura e as Artes de Istambul (İKSV) organiza a Bienal de Istambul desde 1987. A bienal tem como objetivo criar um ponto de encontro em Istambul, no campo das artes visuais entre artistas de diversas culturas e o público. As quinze bienais que a İKSV organizou até agora permitiram a formação de uma rede cultural internacional entre círculos artísticos locais e internacionais, artistas, curadores e críticos de arte, reunindo novas tendências na arte contemporânea a cada dois anos. Sua última edição aconteceu em ano ímpar, em 14 de setembro a 10 de novembro de 2019. Sendo assim, a Bienal consegue respirar de forma mais tranquila, ao pensar em seus planos de sua próxima edição, que acontecerá em 2021, na qual esperamos ter um cenário mais favorável

Bienal de Berlim

A Bienal de Berlim acontece também a cada dois anos, em diferentes locais de Berlim e é caracterizada por diferentes conceitos de curadores conhecidos. Promove formatos experimentais e dá aos curadores responsáveis ​​a liberdade de apresentar as últimas posições relevantes e corajosas, independentemente do mercado de arte e dos interesses de coleções. Inúmeros jovens artistas ajudaram sua participação a alcançar um avanço internacional. Sua última edição aconteceu em 9 de junho a 9 de setembro de 2018, sendo assim, mais uma bienal que teve de ser replanejada em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Entretanto, a Bienal de Berlim acontecerá em uma nova data, mas, ainda em 2020.  Portanto, ao invés de junho, como planejado, a bienal acontecerá entre os dias 5 de setembro a 1 de novembro de 2020. Os locais escolhidos como sedes para a programação são ExRotaprint, daadgalerie, Gropius Bau e o KW Institute for Contemporary Art.

 

Conclusão

Ao ler um artigo como este, você consegue compreender não somente a importância das bienais para a valorização da arte, mas também para valorização de seu mercado artístico. Depois dessas informações, tudo ficou mais claro, não é mesmo? A partir deste artigo, foi possível ver a história das bienais, ao redor do mundo e a sua importância para a história, na qual se dá como um cenário de favorecimento da arte, de determinadas obras e artistas. Mas ao ler este artigo, talvez você tenha percebido os grandes impactos que a pandemia de COVID-19 tem causado no meio artístico. Portanto, para aprofundar um pouco mais sobre esses impactos, acesse linha do tempo sobre os impactos da pandemia nos museus, fechamentos das instituições e  estratégias adotadas para lidar com a pandemia, são algumas das questões pautadas nesta linha do tempo.