Hoje em dia não existe um smartphone sequer que não possua uma câmera. Há quem tire foto de sua refeição em um restaurante, quem fotografe um pôr do sol em um fim de tarde à beira do mar ou então quem faça as tão famosas selfies sem nenhum motivo específico. 

Talvez por toda essa facilidade que a tecnologia nos deu, a fotografia hoje pode ser colocada como algo corriqueiro e que não demanda tantos apetrechos para acontecer: basta um celular e pronto. Só que em um passado não tão distante, a coisa não era bem assim que funcionava. Acontece que a fotografia era um verdadeiro evento. Há 20 anos por exemplo, por mais que o acesso às câmeras tenha sido um pouco mais facilitado, tinha toda aquela cerimônia de ter que revelar as fotos, escolher o filme de tantas poses e por aí vai. 

Se formos voltar lá nos primórdios da fotografia, a coisa fica ainda mais burocrática e inacessível. Aí sim, a fotografia era um recurso dos mais abastados e uma foto da família completa poderia nunca acontecer. Pelo menos com todos os membros vivos. 

Sim, a fotografia era algo tão emblemático que a bizarrice de arrumar os finados da família e colocá-los em uma pose para dar uma ideia de que ainda estavam vivos, era algo muito comum para aqueles que faziam questão de registrar a existência daquela pessoa. Estranho, não? 

 

Fotografia: um breve relato histórico 

Oficialmente falando, a fotografia surgiu no século XIX, mais precisamente no ano de 1826, onde a primeira fotografia foi atribuída ao francês Joseph Nicéphore. Ele estudava as propriedades do cloreto de prata sobre o papel desde 1817. Mas acontece que a fotografia em si não é uma invenção que carrega somente um nome. Fato é que a criação da fotografia se deu por um processo longo que envolveu diversas pessoas que trabalharam juntas, separadas, em tempos diferentes ou paralelamente, durante muitos anos. Vamos entender esse processo. 

As primeiras experiências de fotografia aconteceram em 350 a.C, feitas por químicos e alquimistas. Mas é lá em meados do século X que o árabe Alhaken de Basora notou a natureza das imagens que eram projetadas dentro de sua tenda que atravessavam com a luz do sol. Já em 1525, havia a técnica de escurecimento dos sais de prata e em 1604, o químico italiano Ângelo Sala já sabia que alguns compostos de prata oxidavam em exposição ao sol. 

Porém, foi o farmacêutico sueco Carl Wilhelm Scheele que comprovou a percepção de Ângelo demonstrando o escurecimento de sais expostos à luz solar. Esse evento de Carl aconteceu no ano de 1777. 

Cinquenta anos antes desse ocorrido, em 1725, quem era o nome da vez nessa história era o cientista alemão Johann Henrich Schulze. Ele projetou uma imagem durável em uma superfície. Bebendo da mesma fonte, muitos anos depois o químico britânico Thomas Wedgwood fez algo parecido.

Já depois da primeira foto oficial de Joseph, um fato que marcou a história da fotografia ocorreu em 1901, quando a empresa Kodak lançou a Brownie-Kodak, uma câmera mais popular. Em 1935, a mesma empresa lançou o Kodachrome, a vanguarda da fotografia colorida. No ano de 1963, a Polaroid vai na mesma linha e cria a fotografia colorida instantânea.

Atualmente contamos com a tecnologia de fotos digitais de altíssima qualidade, mas você pode perceber o longo caminho percorrido para que fosse possível tirar uma foto do seu milkshake antes de postar nos stories do instagram com uma tremenda facilidade. 

A relação entre arte e tecnologia 

Quando se fala em tecnologia, logo pensamos em carros voadores, teletransporte, skates flutuantes como os do filme Back to the Future ou sabres de luz portados por Jedis como Luke Skywalker em Star Wars. Tudo bem, é normal esse tipo de insight. Mas acontece que o conceito de tecnologia é muito mais vasto do que isso. Já mencionamos em outros textos do nosso blog uma lista de artistas que misturam a arte e a tecnologia, mas antes vamos definir tecnologia para melhor compreensão. 

De modo sucinto, a tecnologia nada mais é do que o uso de técnicas e do conhecimento adquirido para aperfeiçoar, facilitar o trabalho com a arte, resolver problemas, executar tarefas ou até mesmo para adaptação ao ambiente. Dito isso, fica fácil entender que a tecnologia sempre foi uma aliada da espécie humana que precisou passar por diversos desafios como frio, fome, calor e por aí vai. 

Acontece que toda nova tecnologia tem um saudosismo como entrave para lidar. Podemos usar só o cinema para trazer vários exemplos, quer ver? Foi assim com o cinema cujo saudosismo foi o teatro, o cinema com som cujo o saudosismo era o cinema mudo, também foi assim quando surgiu o VHS posto como grande vilão que colocaria fim às salas de cinema e por aí vai. 

Está pensando que o cinema é um exemplo muito longe do nosso assunto? Pois saiba que o cinema nada mais é do que 24 fotografias por segundo, o que faz a imagem “se mexer”. Mas isso é um assunto para uma outra hora, vamos voltar à nossa querida fotografia. 

 

A fotografia e seu impacto na arte 

Como já foi dito aqui, a fotografia surgiu em 1826. E já nessa época, o debate sobre o seu valor artístico era muito candente. O já citado saudosismo narrava que a imagem era feita pela máquina e não por quem havia fotografado. Ledo engano, não é mesmo? Um achismo ignorante de que o fotógrafo nada mais era do que um pintor sem talento, era um discurso de muitos teóricos da época. Um deles era o famoso Charles Baudelaire. Ou seja, diziam que os fotógrafos nada mais eram do que preguiçosos sem talento. 

Na história da fotografia a lista de “preguiçosos” é muito extensa. Mas podemos citar alguns como, Henri Cartier-Bresson, Annie Leibovitz, Robert Capa, Sebastião Salgado, Steve McCurry, Ansel Adams, Richard Avedon, Helmut Newton, Robert Doisneau, Walter Firmo e muitos outros nomes que são verdadeiros marcos na história da fotografia. 

Fato é que, embora seja preciso dominar técnicas e saber manusear uma máquina fotográfica, Baudelaire mal sabia que um olhar bem afiado, que consegue enxergar enquadramentos únicos é um talento nato que separa o joio do trigo no mundo da fotografia e cria ícones imortais como os citados acima. 

Lembra que falamos que o surgimento da tecnologia do VHS foi tido como precursor do fim das salas de cinema? A precisão de uma fotografia também era uma tecnologia que virou motivo para especulações de que a pintura teria o seu fim. Mas sabemos que isso também é lenda, porque um fato sabido é que as pinturas ainda são muito presentes e exercem seu papel artístico com maestria. 

Só que não há como negar que o surgimento da fotografia subverteu totalmente o mundo da arte. Com uma tecnologia que retrata ambientes com perfeição, a pintura teve que se reinventar e procurar outras maneiras para retratar a realidade. Daí que, a suposta ameaça tornou-se uma verdadeira oportunidade para a pintura criar imagens que a câmera fotográfica não pode retratar de forma alguma. 

 

Fotografia como arte 

Agora que já esclarecemos a relação da arte e da tecnologia, vamos falar da fotografia e como ela se inseriu no campo da arte. Com a evolução dos recursos, a fotografia ganhou o seu espaço na arte, mesmo que precisasse ser muito questionada no início, diferente da pintura e da escultura que nunca tiveram suas legitimidades colocadas em xeque. 

Mesmo que ainda divide opiniões, a fotografia passou a ser manipulada, aprofundada, enriquecida de técnicas e elementos que deixaram de reduzir a fotografia a apenas um clique. Nas mais diferentes formas de se fotografar é possível sim criar verdadeiras obras de arte que, além da beleza da fotografia tem a vantagem de captar um momento real, de eternizar um segundo. Quer algo mais poético do que isso? 

 

Conclusão 

Temos certeza que depois deste texto você nunca mais verá a fotografia do mesmo jeito. Tanto pela história, como também pelo papel da fotografia para a arte. 

Ao longo deste artigo foi possível conhecer um pouco mais sobre a história da fotografia, entendê-la como tecnologia e observar como a fotografia se relaciona com a arte. No nosso site também é possível viajar no tempo e conferir outras histórias.