A arte computacional é, simplificadamente falando, qualquer arte criada através de um computador. Ou seja, o computador nesse caso é quem tem papel principal na criação ou até mesmo na exibição da obra. Definir a arte computacional através de elementos é algo muito difícil e inconclusivo, pois esse tipo de arte está sempre evoluindo e se transformando a todo momento.

Foi nos anos 60 que a arte computacional começou a se desenvolver. Porém, nessa época, a maioria dos “artistas” ainda eram engenheiros da computação ou cientistas. Isso porque eram eles que tinham acesso a toda essa nova tecnologia. Foi a partir daí que outros artistas começaram a explorar esse tipo de tecnologia com a finalidade artística.  

De lá pra cá muita coisa mudou. Diversos artistas se notabilizaram por fazer dos elementos computacionais sua arte. A arte e a tecnologia sempre andaram tão juntas. Essa combinação é poderosa e é capaz de transformar simples elementos do dia a dia em verdadeiras obras de arte. 

Entenda o conceito de arte computacional

Ouvindo a primeira vez, parece que arte computacional é muito complexa, mas não é. De forma simples, pode-se definir arte computacional como qualquer arte que precise de computador ou que, durante sua criação ou exibição. É importante lembrar que arte computacional não abrange apenas pinturas. Animações, imagens, sons, vídeos, videogames e até mesmo um sites internet podem ser classificados como artes computacionais. 

Nessa forma de criação é preciso ter, além de criatividade, um bom conhecimento de computação e de técnicas digitais. Além disso, é uma forma de expressão artística que está sempre em mudanças e evoluindo, já que a tecnologia a cada dia que passa possibilita outras formas de criação artística. 

Como falado anteriormente, a arte computacional começou durante os anos 1960. E nessa época, os artistas eram os engenheiros da computação e os cientistas, já que eles que tinham acesso a máquinas. Ou seja, era algo mais técnico. Em Nova Jersey, durante o ano de 1962, o Dr. A. Michael Noll começo a programar um computador com o objetivo de padrões visuais artísticos.

Poucos anos após Noll começar a utilizar a computação como fins artísticos, aconteceu a primeira exibição oficial de arte computacional. E foram duas exibições, uma na Alemanha e outra nos Estados Unidos, ambas em 1965. É importante lembrar que, muitos não consideram as obras como arte, já que foram criadas através do computador. Por isso, não recebiam nome de arte no título.

Foi 3 anos depois dessas duas exposições, em 1968, em Londres, ocorreu mais uma importante exposição de arte computacional. Essa, reuniu os nomes dos primeiros artistas digitais, como Nam June Paik, Frieder Nake, Leslie Mezei, Georg Nees e A. Michael Noll. 

 

A tecnologia por trás dessa expressão artística

O ser humano sempre teve a necessidade de se expressar, de deixar sua marca. Prova disso são as pinturas rupestres nos interiores de cavernas e em outras superfícies rochosas cravadas pela marca da presença humana.

Mas depois de muitos e muitos anos, já na idade média, foi que a arte se dividiu em dois segmentos: artes mecânicas e artes intelectuais. Resumidamente falando, a arte mecânica pode ser comparada a um artesão que cria objetos ou coisas pré-determinadas. Já a arte intelectual é a arte mais elaborada, mais sentimental e única. Mas, independentemente dos termos utilizados, é importante entender a arte como algo que não pode ser limitado a ideia A ou B, pois sua grandiosidade e complexidade não permitem limitações. Entenda melhor a relação da arte com a tecnologia neste artigo disponível em nosso Blog, Arte e tecnologia: entenda essa relação ao longo da história.

A arte computacional é ligada diretamente às evoluções tecnológicas que o mundo passou até o presente momento. Essa forma de expressão artística mudou bastante dos anos 60 até hoje. No início, eram usadas máquinas que produziam elementos simples e geométricos, já hoje a “piração” está fortemente presente nesse segmento. 

 

5 artista que usam a tecnologia da programação em suas obras

O uso da programação na arte não é algo tão simples, mas diversos artistas fizeram desta ciência suas carreiras e, consequentemente, obras incríveis para toda a eternidade. Conheça agora 5 artistas que usam a tecnologia da programação em suas obras para encontrar o público: 

Fernando Velázquez

O primeiro artista desta lista é um Uruguaio que nasceu em Montevidéu em 1970 e que hoje é radicado em São Paulo. Fernando Velázquez é Mestre em Moda, Arte e Cultura pelo Senac-SP e tem especialização em “Video e tecnologias on/off line” pelo Mecad de Barcelona. Ele um artista multimídia que apoia suas criações na tecnologia em diversos tipos de mídias, como desenhos, pinturas, fotografias e vídeos. 

Dentre os diversos assuntos retratados em suas obras, as questões relacionadas ao cotidiano contemporâneo e à construção da identidade são o que mais ganham destaque. Suas obras vão desde vídeos, objetos interativos, performances audiovisuais e imagens provenientes de algoritmos. A relação entre a natureza e a cultura é seu ponto de diálogo entre suas obras e o público. 

Dentre suas performances de destaque, as mais marcantes foram: on/off (Itaú Cultural, São Paulo – 2012 curador, Roberto Moreira), Mapping Festival (Genebra, 2011), LPM (Roma, 2011) e Cyland (São Petersburgo, 2012). 

Laura Ramirez: a Optika Vj

Aqui temos uma amante das artes visuais que conseguiu revolucionar projetos visuais ao vivo, transformando-as em verdadeiros espetáculos. Luara Ramirez, mais conhecida como Optika VJ, é natural de Bogotá, Colômbia, e é especializada em unir arte digital e narrativas audiovisuais, criando assim instalações e intervenções incríveis.   

Foi em 2007 que Optika VJ começou a dar seus primeiros passos em suas performances, organizando oficinas, conferências e apresentações eletrônicas e de arte relacionada a programação. 

Laura, ou Optika VJ, já se apresentou em diversos países da América do Sul, Europa, Ásia e também nos EUA. Clubes como REX Club, em Paris e Tresor, em Berlim, foram locais onde a Optika VJ ganhou notoriedade e suas obras ficaram conhecidas. 

Em 2011 Laura projetou, para mais de 90 mil pessoas em Bogotá, uma obra de aproximadamente 140 m² que contou com cores e luzes especiais para essa apresentação. Ela ainda se destacou por desenvolver os sistemas CMX / LED, Designing Clubes e outras diversas revoluções da arte computacional. 

Georg Nees

Não se pode falar de arte computacional sem citar Georg Nees, um dos pioneiros da arte da computação. Nascido em 1926 na Alemanha, ele foi aluno de Max Bense, o fundador da Estética da Informação. Muitos consideram que o Show Solo de Nees, ainda na universidade em Stuttgart, foi a sua primeira exposição, ainda em 1965. O próprio artista afirmou que foi essa peça que o inspirou a criar a própria série de obras de arte algorítmica de desordem cúbica. 

Hito Steyerl

Nascida em Munique, na Alemanha, em 1966, Hito Steyerl ganhou grande destaque pela sua inovação artística tecnológica. Além de artista de imagens em movimento, Steyerl também é cineasta e escritora. Ela frequentou o Instituto Japonês de Imagem em Movimento e anos depois estudou na Universidade de Televisão e Cinema de Munique, se tornando cineasta. Atualmente ela é professora de New Media Art na Universidade de Artes de Berlim. Seu trabalho consegue ultrapassar os limites do vídeo como conhecemos, fazendo com que muitas vezes seja obscurecido o que é real sob muitas camadas de metáforas e humor satírico. Em 2017 ela foi eleita como a pessoa mais influente no mundo da arte contemporânea. 

Philippe Parreno

Philippe Parreno é um artista francês que nasceu em Oran, na Argélia em 1964. Seu trabalho é focado em diversas mídias, como filmes, instalações, performances, desenhos e até textos. Suas ideias se concentram no tempo de suas obras e a concepção distinta de outras exposições como um único meio. Desde que começou a expor seus trabalhos nos anos 90, Parreno sempre foi aclamado pela crítica. 

Em Dancing Around The Bride, em 2012, no Museu de Arte da Filadélfia, Parreno atuou como orquestrador, usando as obras de grandes artistas, como: John Cage , Merce Cunningham , Jasper Johns , Robert Rauschenberg e Marcel Duchamp para invocar tempo e movimento.

 

Conclusão

A arte e a tecnologia sempre andaram juntas. Desde a invenção de uma simples ferramenta no início da humanidade até os computadores mais modernos que temos hoje em dia, a arte sempre esteve e estará presente. Lendo este artigo, ficou claro como a arte e tecnologia se moldam e se reinventam.

A arte computacional é algo novo, mas que já está presente em diversas galerias e museus pelo mundo. E quando se fala em arte e tecnologia, também é possível enxergar coisas além da arte em si, mas também na sua própria organização. As linhas do tempo do Timelinefy servem para organizar cronologicamente movimentos artísticos e históricos. Ou seja, a arte e a tecnologia vão muito além do que se pode imaginar.