Ao observar o seguinte título, você deve estar se perguntando: O que é arte computacional? Como este processo funciona? Essa tecnologia é uma arte feita por computadores? Como essa arte é recebida sociedade? As respostas para essas e outras perguntas, você encontrará aqui, no presente artigo da Timelinefy. 

Conhecer diferentes histórias é sempre importante para nosso reconhecimento enquanto indivíduos, de modo que passamos a conhecer melhor o mundo em que habitamos e as coisas que nos rodeiam, principalmente, quando essas histórias falam de arte, tecnologia e sociedade. Tendo em vista isso, a Timelinefy busca não apenas contar histórias, mas também possibilitar que as histórias sejam narradas de diferentes maneiras e  as informações sejam organizadas no tempo, de forma cronológica, por meio da estrutura de linhas do tempo. Por ser digital a ferramenta torna essa atividade uma experiência dinâmica e interativa, diferente, mas ao mesmo tempo semelhante às metodologias utilizadas por museus de se contar a história. 

O presente artigo busca tratar a tecnologia de programação usada na arte (arte computacional) de forma detalhada durante os próximos parágrafos e para isso serão apresentados alguns tópicos, como: o que é a arte computacional? Qual sua origem? e quais os principais precursores e obras. Portanto, prepare-se, neste momento, para conhecer um pouco da história da arte computacional e como tudo tem se desenvolvido até hoje. 

Inicialmente, para que possamos chegar até a criação da arte computacional é importante citarmos a criação da computação e o que a consolidou. O termo computação, genericamente, refere-se a toda programação feita para computadores. Parece óbvio, não é mesmo? Entretanto, tal tecnologia pode não ser tão óbvia quanto parece, pois se eu disser a você que a programação é uma linguagem feita em códigos, que quando decodificados resultam na delimitação de funções para o computador? Acho que agora você conseguirá compreender melhor, não? 

Pois bem, além de ser uma linguagem, a programação é considerada um método padronizado que consiste em um conjunto de regras sintáticas e semânticas, usadas para implementar um código principal, que pode ser compilado e convertido em uma função ou processo. Tais processos podem ter como resultados ser imagens fotográficas, desenhos, pinturas e, a até animações, criando assim uma estética computacional.

É importante ressaltar que a programação advém muito antes da própria criação do computador moderno, pois inicialmente a mesma, era limitada apenas como linguagem e como todos sabem, a linguagem é uma principal fonte para a arte, com isso, o aprimoramento dessa linguagem de programação deu à luz assim, a arte computacional. 

 

O que é a arte computacional?

Ao tomar o sentido literal da expressão, podemos considerar a arte computacional, como qualquer tipo de arte em que os computadores tenham um papel básico na criação ou exibição, com isso, os resultados dessas atuações de computadores podem ser manifestados em imagens, sons, vídeos e até animação algorítmica, como já mencionado.

Muitas áreas de conhecimento já estão integrando tecnologias digitais e, como resultado, as barreiras entre obras de arte tradicionais e as novas mídias estão ficando para trás, pois alguns artistas combinam pintura tradicional com tecnologias digitais. Mas como saber o que é considerado arte computacional e o que, não é? Talvez não consigamos responder essa pergunta com exatidão, pois até mesmo nas primeiras exposições de arte computacional, a “arte” apresentava controvérsias, porque as imagens criadas na época não eram consideradas obras artísticas, mas sim apenas representações algorítmicas. 

A maioria dessas representações algorítmicas, eram apenas geométricas, pelo fato da dificuldade em criar imagens realistas, tanto em relação à tecnologia de visualização nas saídas gráficas, monitor e impressora, quanto no desenvolvimento de algoritmos. 

Em contraposição com o passado, conseguimos ver o quanto tal tecnologia tem evoluído, principalmente na maneira como ela se manifesta atualmente, pois a arte computacional em conjunto com a técnica de modelagem tridimensional e a interatividade, desenvolve o conceito de imersão na imagem. A sensação de imersão surge nos espaços virtuais em função de sua forma tridimensional, onde é possível, além da exploração do espaço, agir no seu interior e entrar em contato com outras pessoas e objetos virtuais.

Por se dar de forma ampla, livre e atualmente muito evoluída, a arte computacional não é capaz de ser mensurada e nem apresentada  como uma arte de manifestações recorrentes ou previsíveis, pois as formas de manifestação são múltiplas: desde códigos que representam traços e linhas que nos hipnotizam, até hologramas computados para interagir com o público.

Qual a origem dessa expressão artística?

Neste parágrafo, teremos que nos voltar para a década de 1960, quando tudo começou, pois, a partir da invenção de uma máquina de desenho de Desmond Henry, a ideia de arte computacional surgiu. Quando sua máquina se tornou amplamente conhecida, seu trabalho foi exibido na Reid Gallery, em Londres e suas técnicas propagadas.

Ainda em Londres, porém em 1968, o Instituto de Artes Contemporâneas recebeu uma das mais influentes exposições de arte computacional da história. A exposição apresentou artistas que hoje são considerados os pioneiros nessa expressão artística: Nam June Paik, Frieder Nake, Leslie Mezei, Georg Nees e A. Michael Noll. A partir do destaque gerado socialmente, as obras obtiveram um apreço, contribuindo assim para a evolução da técnica, com isso, sob influência direta desse evento, em 1969, a Sociedade de Arte Computacional (Computer Arts Society) foi fundada, também em Londres. 

Já na década de 70, o Centro de Pesquisa da Xerox Corporation, em Palo Alto, Estados Unidos, criou a primeira Interface Gráfica do Usuário (ou GUI), uma plataforma mais simplificada de criação. Mas só em 1984, a arte computacional se tornou um mercado, graças a Macintosh. Com a crescente popularização, rapidamente, designers digitais começaram a usar essa nova ferramenta criativa.

Também da década de 1970, foi promovida a conferência e exposição Arteônica em São Paulo.

 

Como a arte computacional é expressa?

Como já mencionado, a arte computacional pode ser expressa de inúmeras maneiras, mas talvez apenas consigamos imaginar formas mais atuais de arte computacional, sendo elas as animações gráficas, muito utilizadas pelas produções cinematográficas, por exemplo. Entretanto, no passado, muitos dos artistas desta área ousavam e inovando nas formas de expressão, como no caso de Béla Julesz, citado anteriormente. O neurocientista Béla, estudava a demarcação de pontos sobre a imagem, ou seja, os pontos computacionais davam a ilusão de uma representação imagética. Essa representação, hoje considerada artística, era antes apenas um estudo, mas que levou à criação de autostereogramas. 

A técnica elaborada por Béla, apresenta grande influência para as expressões artísticas computacionais hoje em dia, pois autostereogramas é uma série de códigos minúsculos projetados em conjunto para criar a ilusão visual de uma cena tridimensional (3D) a partir de uma imagem bidimensional. Para perceber as formas 3D nesses autostereogramas, é preciso superar a coordenação normalmente automática entre acomodação (foco) e vergência horizontal (ângulo dos olhos). A ilusão é de percepção de profundidade e isso é ocasionado em decorrência da perspectiva diferente de cada olho de uma cena tridimensional, chamada parlaxe binocular. 

Percebeu como uma expressão artística pode implicar outros inúmeros estudos? Alguns artistas, ao invés de pontos, usam código de barras para configurar a ilusão de uma imagem, como no caso de Scott Blake que será apresentado no próximo parágrafo.

 

Conheça algumas obras

Até o presente momento, conseguimos apresentar a você o conceito de arte computacional, como tem se desenvolvido e como tem evoluído, agora mostraremos a você um pouco das obras mais discutidas no mundo, provindas da arte computacional. 

O primeiro artista a ser explorado é Henrique Roscoe. O artista visual como é conhecido, trabalha com áudio, som e vídeo, entretanto, cada projeto possui conceitos diferentes e ferramentas específicas, desde instrumentos musicais até os computadores. O artista explora um ramo ainda pouco conhecido no Brasil, mas que está ganhando espaço, chamado arte generativa, estilo definido por códigos de computador. Os planos criados pelo artista/programador viram cores e sons que evoluem a um sentido lógico pré-determinada. 

No ano de 2016, o artista expôs uma de suas obras compostas pela arte generativa cujo objetivo era representar um videogame sem vencedor. Uma obra interativa e manipulada por dois controles de Super Nintendo, com imagens que lembram jogos antigos. A obra representa a arte computacional moderna, referenciando o antigo, mas com técnicas atuais. 

A segunda obra que será apresentada pertence ao artista brasileiro Eduardo Kac, um dos pioneiros na arte computacional e holográfica no Brasil. Diferente das outras obras, o artista Eduardo Kac utiliza a computação junto ao seu corpo, o que o deu o título de primeira pessoa a implantar um microchip em seu corpo em 1997 como parte de sua obra, chamada “Cápsula do Tempo”. Desde então, o artista realiza diversas experiências polêmicas no campo da bioarte na arte computacional, ousando com suas diferentes e modernas técnicas.

Em 1983, Kac lançou um livro chamado “Escracho” (o qual faz parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York) e começou a trabalhar o conceito de holopoesia. Em 1984, participou da mostra “Como Vai Você, Geração 80?” no Parque Lage (Rio de Janeiro). Entre 1985 e 1986, iniciou seus trabalhos com arte digital através do sistema videotexto.

A última obra a ser apresentada é de um artista mencionado no parágrafo anterior, de nome Scott Blake. Em seus projetos, o americano Blake usa código de barras encontrados em diversos produtos. Com os códigos de barra, Scott cria inúmeras figuras, mas principalmente, retratos de pessoas famosas. Logo após a ilustração, o artista cria também uma interatividade entre a arte e seu público. No rosto de Elvis, por exemplo, ao escanear um dos códigos que formam a imagem, a mesma reproduz uma música ou apresenta um clipe do artista, no Youtube. Dando à suas obras um conceito tradicional dos “códigos” pertencente a arte computacional, desde os primórdios. 

 

Conclusão

E aí? Finalmente conseguiu decifrar todos os códigos dessa arte? Caso não tenha conseguido solucionar, sinta se contente por isso, até porque os códigos dessa arte não são produzidos para fazerem sentido lógico e sim para serem apreciados esteticamente, pois a arte, independente de suas formas de expressão precisam ser devidamente apreciadas. 

Podemos então assim dizer, que a arte atualmente vem se unindo a tecnologia de uma maneira sem precedentes, hoje em dia não basta um dispositivo ser apenas tecnológico, ele tem que ter traços estéticos atrativos, é nessa hora que a arte entra para dar um toque de sofisticação aos mesmos.  E no mundo artístico, como vocês puderam ver é possível encontrarmos muitas expressões artísticas que fazem menção a tecnologia, com traços de passado e futuro juntos, o que torna as artes inovadoras.

No presente texto foi possível encontrar um breve resumo sobre o que é a arte computacional e onde e quando ela se originou. Foi possível conhecer algumas importantes personalidades que não apenas desenvolveram grandes habilidades artísticas, mas descobriram grandes feitos tecnológicos como no caso de Béla Julesz com sua técnica tridimensional. 

Com isso pudemos discorrer não apenas a arte computacional, como também a arte em geral, ao redor do mundo, um assunto muito discutido neste ano de 2020, principalmente por decorrência da pandemia de COVID-19. Caso tenha interesse em conhecer um pouco mais sobre a arte, ou discutir um pouco sobre os impactos da tecnologia na arte, explore algumas das nossas linhas do tempo, nelas você encontrará histórias detalhadas sobre determinados temas. 

Como por exemplo a linha do tempo: “Life and Art of Leonardo da Vinci” que conta a vida e a arte de um dos maiores artistas da história, reunindo arte, história e tecnologia.