Arte e tecnologia. Será que uma coisa tem a ver com a outra? O que mudou na arte que envolveu a tecnologia? Será que a tecnologia é uma expertise inerente ao ser humano? Vamos descobrir tudo isso juntos. São tantas perguntas que envolvem a relação desses dois temas que para entender mais sobre eles vamos conhecer um pouquinho da participação de cada um deles ao longo da história. 

Antes de abordar qualquer episódio relacionado à arte ou à tecnologia, é preciso entender o conceito dessas duas coisas. No dicionário a arte é a – abre aspas – habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional – fecha aspas.  A origem da palavra está no vocábulo do latim ars e quer dizer técnica ou habilidade. Podemos assim dizer, que a arte nada mais é do que uma manifestação humana comunicativa que é bem antiga. 

Saindo de uma definição mais técnica para uma mais objetiva e de fácil compreensão, a arte tem caráter estético e está particularmente ligada às nossas sensações e emoções. São diversos exemplos: pintura, dança, música, literatura, cinema e, embora pouco sabido, a arquitetura também é uma arte. Melhor dizendo, a arquitetura é a primeira entre as sete artes conhecidas. Enfim, resumindo, digamos que a arte é o reflexo da essência humana. 

Tudo bem, mas e a tecnologia? Bom, a primeira coisa a se falar da tecnologia é  que ela possui uma característica que também é da arte: a tecnologia é inerente ao ser humano. Mas ora, como assim se só agora é que temos celulares, computadores e carros elétricos? A resposta para essa pergunta é simples. A tecnologia não envolve somente aparatos eletrônicos, mas veremos isso com mais profundidade durante este texto. 

 

A arte e suas diferentes expressões 

De onde será que surgiu essa necessidade humana de fazer arte? Quando foi que o ser humano teve anseio por representar a si mesmo? Há diversas teorias muito interessantes que abordam a origem da arte bem como suas diferentes expressões. Fato é que não se pode datar exatamente esse episódio, porque muito provavelmente foi algo que aconteceu simultaneamente e em vários lugares onde o ser humano habitava. 

Por sua complexidade, a arte teve diversas definições ao longo da história. Por exemplo, para filósofo grego Aristóteles, a arte era a imitação da realidade. É claro que mais tarde várias correntes artísticas refutaram essa definição simplista que Aristóteles deu à arte. Isso porque essas correntes artísticas entendiam que a arte não se resumia à imitação da realidade, e sim, na criação. 

No decorrer da idade média, a arte se dividiu em dois segmentos: as artes manuais também chamadas de artes mecânicas, e artes liberais que também eram definidas como artes intelectuais. Nessa divisão, as artes manuais eram consideradas inferiores às artes liberais. O intelecto se sobressaia ao mecânico. Se formos pensar em arte hoje em dia, há um pensamento mais elaborado sobre arte. Acontece que o trabalho manual ainda é subjugado diante do trabalho intelectual. Como se um artesão fizesse uma arte menor do que um artista, sendo que ambos partilham de um trabalho mental atrelado à criação artística.  

Termos como “arte erudita”, “arte popular” ou “alta cultura” ainda estão muito presentes nos dias de hoje, o que gera um grande debate para estudiosos da arte. Afinal é bem estranho pegar algo tão complexo e limitar em caixinhas tentando impor uma primazia de um movimento artístico em relação ao outro. 

Para facilitar a compreensão da arte, temos a história da arte que é o ramo que estuda todos os processos de arte de acordo com cada contexto em que aconteceram. É com esse objetivo que a arte se dividiu em períodos. E quais são esses períodos? Vamos lá. 

O primeiro período é denominado Arte Pré-histórica que compreende o tempo que precede a 3000 a.C. Em seguida temos a Arte Antiga que vai de 3000 a.C. até 1000 a.C. Um exemplo de Arte Antiga é a arte egípcia.

Depois da Arte Antiga, temos a Arte Clássica que vai de 1000 a.C. até 300 d.C. como é o caso da arte grega e também da romana.

Do período de 300 d.C. até 1350 temos a Arte Medieval como por exemplo, a arte gótica. Depois, vem a Arte Moderna que compreende o período de 1350 a 1850 obras neoclássicas são bons exemplos deste período. Por fim, e não menos importante, temos a Arte Contemporânea que vai de 1850 aos dias atuais. Um exemplo de arte contemporânea é a arte conceitual. 

Dando um zoom no nosso mapa da linha do tempo da história da arte, vale a pena dar uma destrinchada no século XX, período marcante que nos trouxe diversos movimentos artísticos. São eles o Expressionismo, o Fauvismo, o Cubismo, o Futurismo, o Abstracionismo, o Dadaísmo, o Surrealismo, a Op-art e a Pop-art. Um século repleto de grandes nomes importantes para a história da arte. Mais para frente, você entenderá qual é a relação desses movimentos artísticos com a tecnologia. 

 

Entendendo o conceito de tecnologia

Agora que já explicamos a arte com uma certa riqueza de detalhes, chegou a hora de entender melhor o que é a tecnologia. Como já dissemos acima, ela não se refere somente ao digital. Ledo engano cometido por muitos achar que só é tecnologia aquilo que envolve coisas eletrônicas. 

Apelando novamente ao dicionário, a tecnologia é a – abre aspas – teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana – fecha aspas. A ciência é um exemplo claro de tecnologia.  

O ser humano sempre foi uma espécie que buscou se adaptar ao meio ambiente bem como às dificuldades impostas por ele. Por conta disso, é possível afirmar que a tecnologia existe desde que o ser humano existe. A descoberta do fogo é um exemplo que nos mostra o início de um avanço tecnológico para a espécie. 

A tecnologia é tão necessária nas nossas vidas que a sua evolução em apenas um século é tão grande que chega a nos assustar a ideia de que há um pouco mais de cem anos mais da metade dos aparatos tecnológicos como máquinas e engenhocas sequer existiam. A capacidade de criação que temos é realmente algo fantástico. 

Toda tecnologia vem para sanar algum problema ou responder às necessidades que temos. A agricultura fez com que deixássemos de sermos nômades, as especiarias conservaram nossos alimentos, o domínio da eletricidade possibilitou um sem-número de ações, o telefone inventado por Alexander Graham Bell nos permitiu a comunicação ampliada, o avião nos fez chegar a lugares diferentes do globo, o conhecimento da ciência nos permitiu criar vacinas para diferentes patógenos e por aí vai. 

Em seu livro “Homo Deus – Uma breve História do Amanhã”, o renomado israelense Yuval Noah Harari nos explica que a evolução da espécie humana já venceu diversas agendas que antes eram problemas em escala global a ponto de hoje começar a pensar em projetos para desenvolver a imortalidade. Pode parecer bizarro, mas se você quiser conhecer a obra entenderá melhor os pontos que o professor traz. 

 

A relação entre arte e tecnologia

Explicados os conceitos de arte e tecnologia, vamos ao ponto chave deste texto que é explicar qual é a relação entre essas duas coisas. Primeiro, precisamos entender que a união entre arte e tecnologia é algo que está presente em quase todas as culturas existentes no mundo. Aliás, elas não só se unem como se misturam e se influenciam. 

Se tanto a arte como a tecnologia são inerentes ao ser humano, podemos afirmar que desde os tempos mais primórdios elas caminham juntas pela história da humanidade, onde uma se beneficiou da outra a medida em que cada uma delas se desenvolvia. Uma verdadeira relação de coexistência. 

As diferentes manifestações artísticas puderam se aprimorar com a aquisição de novos produtos e ferramentas que propiciaram novas maneiras de serem criadas artisticamente. O que resultou em novos recursos para a produção de arte. Desde os homens das cavernas que usavam sangue de animal e sementes para criar a sua tinta até as exposições virtuais, cada degrau galgado pela tecnologia foi captado pela arte e vice-versa. 

Hoje em dia é possível conhecer o acervo de um museu sem sair de casa. Algo que jamais seria cogitado há algumas décadas. A tecnologia tem feito da arte algo mais acessível e universal, onde qualquer um consegue ter acesso sem necessariamente precisar de recursos financeiros. 

Mas agora pensando nas tecnologias digitais, o que seria delas se por detrás da função de cada um desses aparelhos eletrônicos não tivesse um design pensado? As empresas de tecnologia entendem isso e fazem um trabalho árduo para tornar seus produtos mais bonitos do que simplesmente funcionais. 

Lembra que falamos da arquitetura? Um projeto arquitetônico não envolve simplesmente a arte da arquitetura em si, mas também na funcionalidade da obra. Há diversos monumentos que são muito admirados justamente por conseguirem atrelar a arte da arquitetura com a funcionalidade, que podemos considerar aqui no exemplo como a tecnologia. 

 

Conclusão 

Nossa! Enfim, chegamos ao fim do texto com uma grande bagagem sobre arte e tecnologia. Melhor do que isso, entendemos qual é a importância delas uma para a outra. Então faça esse exercício no seu cotidiano. Sempre que desfrutar de uma arte, tente achar quais técnicas estão por trás dessa obra. Tente reparar como a tecnologia e a arte se envolve. Você vai se surpreender.